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A OUTRA MULHER
Ela era bonita? Bem, de qual das duas estamos falando? A primeira estava quase com quarenta anos. Quarenta anos. Que número assustador, ele vem chegando aos poucos, como a barriga que cresce e anuncia o bebê. Ela percebia a sua chegado naquele maldito fio de cabelo branco e, aquelas dores, parecia que tudo doía, os ombros, as costas, as vezes até os olhos. Os seios que até pouco tempo eram firmes agora caiam amolecidos. A imagem no espelho parecia ser a de uma traidora. Mas

ANA BEATRIZ


DOMINGO DE MAIO
“Eu sou uma constelação de eteceteras” Maria Paula reclinou-se da cadeira, jogou a cabeça para traz e suspirou. Palavra é coisa muito falha. Sentia coisas muito abstratas, dissolvíveis. Uma palavra. Ela queria uma palavra que preenchesse o espaço entre o abstrato e o dizer. Foi para a varanda e acendeu um cigarro. O marido não iria gostar, mas era maio, e em maio tudo é sonho. E domingo é sol que não nasceu. Estava usando licença poética de novo? Estava, mas para quem escrev

ANA BEATRIZ
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