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A TRAVESSIA
O ônibus para perto da escola, assim que desço vejo crianças saindo eufóricas, e é estranho pensar que eu já fui uma delas. Parece que vai chover, devia ter trago a sombrinha, mas isso já não importa agora. Ando algumas ruas até ver um portão rosa desbotado. Mas te alerto: tudo que irei ver agora é irreal, e mergulhar nesse mundo é sempre um risco, porque você pode até sair dele, mas ele não quer sair de você. A primeira coisa que noto são as margaridas na janela, então vou


LOGO ESTAREI EM CASA
Estou sentada em meu escritório, a tela do computador brilhando na minha frente, depois de tanto tempo sem escrever uma única linha. Eu sei, preciso tomar alguma medida, mas você precisa entender que as coisas não andam fáceis, especialmente com as crianças. Bem, para tentar sair desse estado, vou contar sobre uma certa noite que, de vez em quando, me vejo pensando. Tinha acabado de completar 13 anos, e estava passando, com meu irmão, um período na casa dos meus tios. Eles


DEPOIS DO ALMOÇO
Ela pousa o copo na mesa, o som se espalhou por toda a sala, deu um longo suspiro de satisfação. Comera toda a refeição, era uma vitória. - Parabéns! Não deixou nem um grão. O moço na outra ponta da mesa sorria, mas ela não compreendia o motivo de tal alegria. - Você merece uma sobremesa. – Ele disse enquanto recolhia os pratos. - Não quero comer mais nada. – Ela disse com voz firme. - Mas tem aquela rapadura que a senhora ama. - Detesto rapadura. O moço levava os pratos


O QUE APRENDI COM O AMOR
A primeira e, provavelmente, mais verdadeira paixão que já experimentei foi, senão, um sonho, uma esperança ocupando um lugar predestinado em minha mente e, mais perigoso ainda, no coração. Este, possui a carne mais feia, pois é verdadeiro, e a dor é a coisa mais real que existe. Paris: a representação dos sonhos. Quando pensamos que experimentamos o amor, tudo se dissolve como açúcar, tudo é irreal, mas tão verdadeiro, com as pinturas de Salvador Dali. Onde se esconde o meu


AMOR SEGUNDO DARWIN
Era apenas uma garotinha, de cadarço desamarrado, mãos que tremiam sem razão e tossindo numa ânsia absurda. Uma garota num mar de insignificância que é a vida juvenil, como se as coisas estivessem esperando o momento exato de desabrocharem. Tudo era espera, afinal. O jeito como as palavras se enroscavam no momento da fala, gaguejando e trocando sílabas. Aprendera a falar, mas não a dizer. Olhava as pessoas com uma curiosidade ímpar. Colocava-as em seu caleidoscópio, busca


TV
...Então eu fechei minha mochila, respirando fundo. A casa estava em completo silencio. Provavelmente passava da meia noite. Era até estranho aquela calma após a discussão que mamãe e papai tiveram: parecia meio um sonho. Lembro de estar usando um grosso casaco com capuz, porque era uma noite muito fria e eu achava que isso me tornaria irreconhecível. Com a mochila nas costas e andando na ponta dos pés, eu deixei meu quarto. Era tudo muito simples: chegar até a sala, dest
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