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HIATOS E ENTREPONTOS
Não poucas vezes, confesso que a página em branco me assusta por espelhar o vazio que sinto ante o desejo ou a pretensão de escrever. Nem sempre há uma ideia predefinida, ou um grito reprimido pressionando para que o expresse. Nesses hiatos de inspiração, a sensação é de que, definitivamente, a fonte secou. Não há mais versos, crônicas ou histórias a serem criadas. Chega a dar um pouco de aflição. Mas certo alívio vem ao relembrar as vezes em que textos não planejados surgira

JEFFERSON LIMA


O UNIVERSALISMO E O LOCALISMO NA LITERATURA - DOS PRIMÓRDIOS ATÉ O MODERNISMO
Desde o início de minha imersão nos estudos literários, uma questão que sempre se destacou foi a tensão entre o universalismo e o localismo (ou regionalismo), frequentemente concebida como a oposição entre literatura universal e literatura local. Mesmo antes do advento da imprensa, responsável por ampliar a circulação e a universalização do conhecimento, já se observava nas grandes epopeias a presença de temas cosmopolitas. Essas obras não se restringiam a contextos particula

JOSÉ FRANÇA


ESCRITORES INVENTORES
Fofocas literárias… mas edificantes. Olá, sou Ilma Pereira e aqui me dedico à fofocas literárias, mas que só lhe farão bem. Quando pensamos em escritores, famosos, com milhões de livros vendidos, sempre os imaginamos tranquilos, com a única preocupação de escrever suas histórias. Hoje quero contar para você que muitos autores não se dedicaram só a escrever. Não. Eles usavam seus tempos ociosos para pensar e criar várias coisas que até hoje impactam o nosso dia a dia. Não

ILMA PEREIRA


RECORDAR É VIVER?
A agulha desce sobre o vinil e há aquele instante de chiado antes da música começar — meio segundo em que o silêncio ainda não decidiu se vai virar som. Depois vem o acorde. "Recordar é viver, eu ontem sonhei com você…" A canção é de 1955. Eu ainda nem existia quando ela nasceu. E, no entanto, basta ouvir os primeiros acordes para que alguma coisa dentro da gente reconheça a melodia — e, por três minutos, a sala parece ter dois endereços ao mesmo tempo: o de hoje e o de outro

CARLA KIRILOS


CACHORRINHO CARAMELO
Ele era presença certa, quando caminhando, passava frente à porta de um depósito de material de construção, numa esquina entre duas avenidas. Ele era um representante fiel da paz - carismático, com sua postura de lord observador. Transitasse por ele quem transitasse, permanecia sem representar perigo, mantendo a cabeça levemente erguida. Passei por ele centenas de vezes e nunca parei, só lançava meu olhar admirador. Ele sentia, olhava de soslaio e cúmplices, dentro da nossa

BETH BRETAS


ONDE ESTARÁ?
Os pensamentos gritam tão alto que fica difícil ignorar. Existe algo que agrega sentido e faz tudo valer a pena. E varia de pessoa para pessoa. Uma energia que faz tuas pernas levantarem o corpo, toda manhã. O que faz o coração aquecer e o olhar brilhar. O que vai significar esperança de existir um amanhã. Aquilo que faz superar. Que molda caminhos. E faz acreditar no impossível. Que transcende o caos. Traz movimento, busca, desprendimento. Justifica esforços Modela comporta

RUBIA ARCE Admin Blog


MITO
Daqui, por vezes, fico a indagar o que um mito vem nos apresentar. E vale pensar, vale observar… Vale avaliar… Vale ressaltar que o mito apresenta pessoas, ele diz sobre escolhas, ele revela. Parece até novela… Nem sei se podemos chamar de mito, mas algumas personalidades têm revelado muito sobre a sociedade. O agir, o pensar, o relacionar. Estamos buscando referências onde? Como? Nossa procura diz sobre nós. Escolhemos aquilo com o que nos identificamos. Eis aí uma boa quest

JUNIA CARVALHO


DEPOIS DO ALMOÇO
Ela pousa o copo na mesa, o som se espalhou por toda a sala, deu um longo suspiro de satisfação. Comera toda a refeição, era uma vitória. - Parabéns! Não deixou nem um grão. O moço na outra ponta da mesa sorria, mas ela não compreendia o motivo de tal alegria. - Você merece uma sobremesa. – Ele disse enquanto recolhia os pratos. - Não quero comer mais nada. – Ela disse com voz firme. - Mas tem aquela rapadura que a senhora ama. - Detesto rapadura. O moço levava os pratos

ANA BEATRIZ


BURNOUT E A SUBJETIVIDADE: POR QUE ALGUMAS PESSOAS ADOECEM E OUTRAS NÃO?
Nos dois primeiros textos desta série, refletimos sobre a centralidade do trabalho na vida contemporânea e sobre como as transformações do mundo do trabalho têm favorecido o crescimento do burnout. Vimos que a intensificação das demandas, a hiperconectividade, a cultura da alta performance e a dificuldade de estabelecer limites criam um cenário propício ao sofrimento psíquico. Entretanto, uma pergunta permanece: por que, em uma mesma organização, sob as mesmas metas, com o me

TEREZINHA ARAÚJO
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