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AMOR É AMOR
Um olhar sobre a lesbianidade e o impacto da heterossexualidade compulsória e da homofobia internalizada na constituição do sentir. Tenho dedicado especial atenção nas minhas últimas contribuições nesta coluna à temática de relacionamentos, sobretudo aos românticos. Passei pelas linguagens do amor, trazendo à tona as múltiplas maneiras de demonstração de afeto que se delineiam nas interações humanas; falei um pouco sobre os tipos de apego adquiridos na primeira infância e de


INTERFACE
Quero que você seja o que não fui, o que não sou… Quero que você faça o que não fiz. Quero que você supere o que não superei. Quero que você queira o meu querer. Que você abasteça o que, quiçá sei dizer. Quero que você faça, desvende, crie… quero que você supere. Eu só quero. Nesse querer, me escondo, me acomodo… justifico, paraliso. Idealismo!! Profundo abismo. Projeto em você os meus anseios, projeto em você o que não consegui ser! E se você não atender, deixou de merecer.


A TRAVESSIA
O ônibus para perto da escola, assim que desço vejo crianças saindo eufóricas, e é estranho pensar que eu já fui uma delas. Parece que vai chover, devia ter trago a sombrinha, mas isso já não importa agora. Ando algumas ruas até ver um portão rosa desbotado. Mas te alerto: tudo que irei ver agora é irreal, e mergulhar nesse mundo é sempre um risco, porque você pode até sair dele, mas ele não quer sair de você. A primeira coisa que noto são as margaridas na janela, então vou


ENTRE OS MITOS POLÍTICOS E OS AMORES DESORDENADOS: O QUE GOVERNA NOSSAS ESCOLHAS?
APRENDENDO COM AGOSTINHO E FREUD No momento estou lendo, estudando Confissões (Agostinho) e O Mal Estar na Cultura (Freud). A princípio pode parecer leituras que não conversam, mas tenho visto muita convergência, principalmente se trazemos para o momento atual de disputa eleitoral, veja se concorda comigo. Em Confissões, Santo Agostinho nos conduz a um encontro com aquilo que nem sempre queremos reconhecer: nossas contradições, nossos desejos e as motivações que se escondem


FOLHAS DE PAPEL EM BRANCO
Um escritor, desses que escreve primeiro com a cabeça, abriu a gaveta de sua escrivaninha para pegar uma folha de papel, um rascunho. Fez uma cara feia! Feia, talvez não. Arregalou os olhos, franziu as rugas da testa, e em um monólogo solitário, se expressou surpreso. - Será quem colocou essas folhas de papel aqui? - Quem colocou não importa. Importa é esse material fascinante, novinho e de que tanto preciso agora. E sorriu de satisfação. O material seria o par confidencial d


AOS MESTRES, COM CARINHO
No dia 15 de outubro é celebrado o Dia do Professor. É uma data importante, carregada de simbolismos e de uma história que remonta aos tempos do Império. Foi em 15 de outubro de 1827 que o imperador D. Pedro I assinou a lei imperial que criava o Ensino Elementar no Brasil. Porém, antes de chegar à data comemorativa que hoje conhecemos, o professor Salomão Becker criou, em 1947, na cidade de São Paulo, a Parada Pedagógica. Já no ano seguinte, Antonieta de Barros — deputada est


UMA CRÔNICA COMO RICOCHETE
Pretendo redigir esta crônica em primeira pessoa, recurso que, por vezes, tenho deixado de lado nos textos anteriormente publicados neste blog. É importante esclarecer que não há, de minha parte, a intenção de produzir ensaios. Nenhum dos textos publicados em Bendita Existência deve ser compreendido como tal: tratam-se, antes, de textos literários, frutos da imaginação do autor, enriquecidos por conhecimentos acumulados ao longo de décadas de leitura, estudo e prática da escr


TÃO PERTO. TÃO LONGE.
Eu fui para San Diego com um propósito muito claro: estudar inglês. Fazer um programa de imersão em uma faculdade americana que recebe estrangeiros que querem aprimorar o inglês. Aos 67 anos, decidi voltar para a sala de aula, enfrentar minhas barreiras com a língua e me permitir viver uma experiência que exigia investimento, disposição e, principalmente, coragem para sair da minha zona de conforto. Não fui fazer turismo. Fui estudar. Fui aprender. Fui me desafiar. Enfrentar


UMA CALCINHA VIAJANTE
Tudo começou quando alguém abrindo o guarda-roupa, encontrou uma calcinha. Sem perguntar para nenhuma frequentadora da casa, quem era a dona da peça, aproveitou uma oportunidade e a enviou para São Paulo. E ela foi deslizando pelo asfalto de uma rodovia, atravessando território de Minas para São Paulo, num intervalo de tempo em que a verdadeira dona nem imaginava que isso poderia estar acontecendo. Chegando em São Paulo, a encarregada da devolução, tranquilamente entregou a c
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