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O BALIZADO
Um homem balconista me foi apresentado num jantar de encontro com amigos, aqueles em que a gastronomia é deliciosa, o riso é solto e as narrativas se aconchegam numa gostosa sintonia. Ele me foi apresentado ao escutar uma conversa sobre um episódio que envolvia ele, uma garota e o seu namorado e,na versão de quem contava, a garota, frente à situação, se manifestou sem alarde, respondendo para o namorado: COMO ASSIM?! Você perdeu a noção?! E, em meio àquela conversa animad

BETH BRETAS


UMA MANHÃ INEXORÁVEL
A manhã de um dia longo. Com esta frase eu começo esta crônica e aproveito para fazer referência ao grande músico Ringo Starr, da Banda Beatles que, em 1964, pronunciou, depois de um dia inteiro de gravações, a frase: “A hard day’s night”, “Noite de um dia duro”, que se tornou o título do famoso Long play. Lembro-me que um dia entre tantos dias em que eu saí de casa cedo para trabalhar, presenciei um fato que marcou profundamente as minhas retinas cansadas, tomando de emprést

JOSÉ FRANÇA


COLIBRI
Aqui… ali… Pisca, e sumi. Trago para ti a beleza, a delicadeza num bailar ágil, ritmado sem pestanejar. Pequeno, frágil? Não sei… a força é algo que se decifra por metáforas… É preciso sabedoria para compreender o ser forte. Aliás, em muitos casos, não é o mais forte que vai até o final, mas o melhor preparado. O concentrado, O estruturado, Ser o melhor nem sempre garante bons resultados. Mas… Ser o esforçado, O determinado, O empenhado, O de sorriso largo, O engajado... Ahhh

JUNIA CARVALHO


ETERNA PRIMAVERA
Era final de setembro. O ano eu já não me lembro bem. Mas faz muito tempo, porque eu ainda morava no bairro São Cosme em Santa Luzia. A data longínqua pode ser justificada pelo fato de que eu ainda não possuía carro. Em uma tarde, eu saí de casa para ir ao centro de Belo Horizonte. O antigo ônibus vermelho gastava 1h10 mais ou menos para chegar à Praça da Estação onde ficava o ponto final da linha. Naquela época, a Avenida Antônio Carlos ainda não era alargada como hoje e a

JOSÉ FRANÇA


HORIZONTE
Era uma quarta-feira: uma metade de laranja, o oposto do mundo, o avesso do estômago. Era quarta-feira, o centro de Belo Horizonte era monstruosamente harmônico, dentro da natureza das coisas. Em cada esquina uma vida pulsava, almas que no fundo vagavam meio sem rumo. Ela era apenas mais uma nesse compasso: baixa, cabelos pranchados, batom borrado e esmalte descascado. Segurava, além dos resultados dos exames, sacolas de coisas que mais tarde ela olharia sem saber o porquê co

ANA BEATRIZ
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