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HORIZONTE
Era uma quarta-feira: uma metade de laranja, o oposto do mundo, o avesso do estômago. Era quarta-feira, o centro de Belo Horizonte era monstruosamente harmônico, dentro da natureza das coisas. Em cada esquina uma vida pulsava, almas que no fundo vagavam meio sem rumo. Ela era apenas mais uma nesse compasso: baixa, cabelos pranchados, batom borrado e esmalte descascado. Segurava, além dos resultados dos exames, sacolas de coisas que mais tarde ela olharia sem saber o porquê co

ANA BEATRIZ
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