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INTERFACE
Quero que você seja o que não fui, o que não sou… Quero que você faça o que não fiz. Quero que você supere o que não superei. Quero que você queira o meu querer. Que você abasteça o que, quiçá sei dizer. Quero que você faça, desvende, crie… quero que você supere. Eu só quero. Nesse querer, me escondo, me acomodo… justifico, paraliso. Idealismo!! Profundo abismo. Projeto em você os meus anseios, projeto em você o que não consegui ser! E se você não atender, deixou de merecer.


A TRAVESSIA
O ônibus para perto da escola, assim que desço vejo crianças saindo eufóricas, e é estranho pensar que eu já fui uma delas. Parece que vai chover, devia ter trago a sombrinha, mas isso já não importa agora. Ando algumas ruas até ver um portão rosa desbotado. Mas te alerto: tudo que irei ver agora é irreal, e mergulhar nesse mundo é sempre um risco, porque você pode até sair dele, mas ele não quer sair de você. A primeira coisa que noto são as margaridas na janela, então vou


BURNOUT E O TRABALHO CONTEMPORÂNEO
Na próxima semana farei uma palestra sobre Burnout e estudando e pesquisando mais sobre o tema, me deparei com dados atuais alarmantes. A relação do homem com o trabalho em nossos dias está cada dia mais adoecida. Nas sociedades antigas e medievais, a identidade das pessoas era construída a partir da família, da religião, da comunidade ou da posição social. O trabalho existia, mas não ocupava necessariamente o centro da vida subjetiva. A centralidade do trabalho começa a se


AMOR EM TEMPOS DE HIPERTENSÃO
No capitalismo, as datas passam a representar cifras: Natal, Dia das Mães, dos Pais e dos Namorados são algumas das oportunidades de transformar afeto em lucro. Mas, sem querer minimizar os danos desse manejo comercial, podemos falar de o quanto essas datas podem, de alguma maneira, levar algumas pessoas a sentirem permissão para demonstrarem o que sentem e hastearem a bandeira de seus amores? Quem diz que o amor segue calendário? Não deveria ser tão desafiador falar e mostra


HORIZONTE
Era uma quarta-feira: uma metade de laranja, o oposto do mundo, o avesso do estômago. Era quarta-feira, o centro de Belo Horizonte era monstruosamente harmônico, dentro da natureza das coisas. Em cada esquina uma vida pulsava, almas que no fundo vagavam meio sem rumo. Ela era apenas mais uma nesse compasso: baixa, cabelos pranchados, batom borrado e esmalte descascado. Segurava, além dos resultados dos exames, sacolas de coisas que mais tarde ela olharia sem saber o porquê co
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