top of page

Buscar


RIOZINHOS DE MINHAS MÃOS
Aperto profundamente meu punho Navego pelos latejos Pelas águas vermelhas que são. Que correm dentro, latejam fora Nos leitos de minhas mãos. Estou viva Vivinha da silva. Trazem em suas correntezas Oxigênio dos pulmões Nutrientes de tecidos diversos. Mantém minhas mãos vivas Meus dedos flácidos Para eu escrever versos. Estou viva Vivinha da silva. Sangue é água, sangue é vida Sangue é arte pura, a cara da paixão e do amor Feita com sabedoria divina na criação do Salvador. Es

MARIA ANÉSIA


PÁSSARO LIVRE
"Liberdade é espaço para voar" É quase uma vida, senão a vida Do Pássaro - Preto Que entoa sua melodia Em qualquer hora ou estação. Entre galhos verdes ou secos Na cidade, nas matas ou no sertão. De toda passarada Que chega, assenta E logo sai alvoroçada. Em meio à agitação do vento Asas leves disparadas. O coração pacífico do poeta, inquieta Não é em vão. Em linhas retas de sua memória Solta versos e não demora voam pássaros pelos ares, vida de mel Voam poemas nas folhas de

MARIA ANÉSIA


TREM DA SAUDADE
Fonte: https://trindadego.com.br/santuario-basilica-do-divino-pai-eterno/ - Vai pra lá, Trem. Inicial maiúscula porque se refere à gente viva. - Por favor, pegue esse trem aí para mim. E trem é tudo que dá significado à existência humana. Fácil de ser usado, brasileiro viaja e gosta. Lá ia um trem. Não era Maria Fumaça, era o Trem da Alegria. Um vagão só, abarrotado de sorrisos, gritos, uma energia contagiante gerada da emoção ao passar pelos trilhos de estações desconhecidas

MARIA ANÉSIA


UM POEMA TRISTE
O céu se abria e ordenava aos anjos. - Liguem todas as luzes Que iluminam o caminho da terra. Dizia às estrelas do universo. - Intensifiquem seus brilhos Serão vistos por almas vivas e mortas. Um filho vai chegar... Há tempo se preparando. Período em que não viveu Rompeu com os desejos de viver. Resistiu, sem queixas, o ataque silencioso do monstro. Adversário que ia diluindo, o que mesmo? Sua faculdade mental, seu organismo antes imortal. Amava do seu jeito. Certo para uns,

MARIA ANÉSIA


O FEMINISMO DOS ÚLTIMOS SÉCULOS
Havia autoridade nos olhos da matriarca Olhava, franzia a testa e desse jeito falava. Anos depois, esses gestos sigilosos se tornavam Ecos para adolescente, jovem, moça inteira. Casava-se sob ordem superior, sem amor. Sem a mácula do pecado, seguia o marido Submissa de suas ações, suas razões. Todas elas, avó, mãe e filha. As mulheres de meus tempos Mães de todo feto que no útero caía. A pílula do dia seguinte não existia Nenhuma gestação, ela impedia. Uma década apenas, a pr

MARIA ANÉSIA


UM MINUTO DE AMOR
Já era tarde da noite. Eu precisava fazer uma ligação de urgência. Peguei o celular, liguei. Demorou, mas ele atendeu e disse: - Eu te amo. - Ué, é você de que fui informada, estava quase sem memória? Confesso, por um triz, teria feito essa interrogação pra ele. Não, não, apenas lhe ofereci ajuda. Se precisava, não sei. Tinha minhas dúvidas. O cara estava perfeito, sorrindo e me prometeu que ia dar tudo certo. Filho é assim. Esconde suas dores diante da velha mãe. Quer vê-la

MARIA ANÉSIA
bottom of page
