O FEMINISMO DOS ÚLTIMOS SÉCULOS
- MARIA ANÉSIA

- 14 de mar.
- 2 min de leitura

Havia autoridade nos olhos da matriarca
Olhava, franzia a testa e desse jeito falava.
Anos depois, esses gestos sigilosos se tornavam
Ecos para adolescente, jovem, moça inteira.
Casava-se sob ordem superior, sem amor.
Sem a mácula do pecado, seguia o marido
Submissa de suas ações, suas razões.
Todas elas, avó, mãe e filha.
As mulheres de meus tempos
Mães de todo feto que no útero caía.
A pílula do dia seguinte não existia
Nenhuma gestação, ela impedia.
Uma década apenas, a primogênita se incumbia
Da missão que não era sua, "crua e nua."
-Você é a mais velha
Corrige seus irmãos, varre o chão.
Escola, só nos aglomerados, cidades distantes
Cresciam analfabetas, ali aprendiam
A lição do amor, da repetição.
Ia pro mundo aprender a trabalhar
No disfarce da escravidão
E na dor da saudade.
Esse tempo foi embora, a mulher de agora
Ganha, olhe lá, um casal só.
Vovó sem voz, careta
E o que diz. "A coisa está preta"
Que mudança, que dó!
Casa - se livremente, do jeito que quer
Por amor, por dinheiro
Ou, às vezes, basta um companheiro.
Escola, pouco ensina
O celular tem poder maior.
Aprende-se em qualquer lugar
Em qualquer tempo, com ou sem professor
Na tela de um computador.
Esta máquina digital
Já existe no mato, na cidade grande
Onde for.
A mulher vai indo
Caminhando, se transformando.
É dona de seu nariz.
Ainda é pouco
No volante, na aeronáutica, na medicina...
Na televisão, em toda dimensão
Lá está ela, anjo de Deus, dá conta de sua missão.
É mãe, é esposa, é rainha do lar
Trabalha fora e tem amor pra dar.
E o futuro a espera
Para um mundo melhor.
Nos braços das mulheres, reinam
Amor, força e transformação
Ideias de liberdade, inteligência que gera do coração.
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Esse texto me tocou por não seguir um caminho óbvio. Ele não se prende a discursos prontos, mas abre espaço para uma reflexão mais ampla sobre o feminino ao longo do tempo. Senti um convite a sair dos extremos e olhar com mais profundidade para o que é, de fato, ocupar o próprio lugar. Um texto que provoca, mas também acolhe, principalmente para quem está disposta a olhar além das narrativas superficiais.
Que bom, Maria Anésia, que neste mês de março, mês dedicado às mulheres, você escreveu sobre elas... mulheres, deusas, anjos, fadas, princesas, guerreira, mãe, dona de casa seja como for, todas são mulheres e merecem respeito, carinho, amor e reconhecimento.
Eu também, neste mês, escrevi sobre mulheres, aliás, vivo cercado delas.
Gostei muito do seu texto. As mulheres, as mudanças e as conquistas históricas . Vi minha mãe representada, minhas filhas e minhas netas.
Parabéns: um abraço.
Olhar para trás e reconhecer as conquistas; olhar para frente e ver que muito há a conquistar; acreditar que é possível e não desistir de seguir adiante. Abraços, Anésia!
Tudo muda e a roda gira em todo o tempo. Ainda é pouco, mas já melhorou muito para as mulheres, como você bem descreve no seu texto. Avante! Beijocas, Carla Kirilos
Séculos e mais séculos que abafam a voz da mulher que segue acreditando que um dia irá conquistar, de verdade, o direito de expressar sua voz, no mundo.
Namastê!