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HIATOS E ENTREPONTOS
Não poucas vezes, confesso que a página em branco me assusta por espelhar o vazio que sinto ante o desejo ou a pretensão de escrever. Nem sempre há uma ideia predefinida, ou um grito reprimido pressionando para que o expresse. Nesses hiatos de inspiração, a sensação é de que, definitivamente, a fonte secou. Não há mais versos, crônicas ou histórias a serem criadas. Chega a dar um pouco de aflição. Mas certo alívio vem ao relembrar as vezes em que textos não planejados surgira

JEFFERSON LIMA


SOBRE AS AREIAS DO MEU TEMPO
“Mas é preciso escolher. Porque o tempo foge. Não há tempo para tudo. Não poderei escutar todas as músicas que desejo, não poderei ler todos os livros que desejo, não poderei abraçar todas as pessoas que desejo. É necessário aprender a arte de “abrir mão” – a fim de nos dedicarmos àquilo que é essencial. (Rubem Alves) Estou a poucos dias de completar meus primeiros cinquenta anos! Por ser um marco na minha existência, resolvi celebrar com o lançamento de um novo livro: Para A

JEFFERSON LIMA


É O CHEIRO!
“Sei que a vida vale a pena... mesmo que o pão seja caro e a liberdade, pequena...” (Ferreira Gullar) Dia desses, li a crônica Velhos Cocheiros, escrita por João do Rio, em 1908. O narrador-personagem fala sobre uma conversa que teria travado com um velho cocheiro, que fazia ponto no antigo Largo do Paço, no Rio de Janeiro, e que já estava havia vinte anos na profissão. O Braga — esse era o nome do cocheiro — falava com saudosismo dos tempos da Monarquia, das pessoas importan

JEFFERSON LIMA


POR SER AMOR…
“Por ser exato, o amor não cabe em si. Por ser encantado, o amor revela-se Por ser amor, invade e fim.” (Pétala - Djavan) Não é por acaso que inicio este texto com os lindos versos de Pétala. Hoje é véspera do Dia dos Namorados, e Djavan foi a principal trilha do meu namoro com a encantadora morena que, há mais de vinte anos, completa o sentido dos meus dias. Não quero me apegar ao fato de que as datas comemorativas são meramente comerciais, criadas para movimentar o comércio

JEFFERSON LIMA


O DIVINO ENTRE NÓS
“Se alguém afirmar: ‘Eu amo a Deus’, mas odiar o seu irmão, é mentiroso, pois quem não ama o seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê. Ele nos deu este mandamento: quem ama a Deus, ame também o seu irmão.” (I João, cap. 4 – Bíblia Sagrada) Dia desses, passeando pelos stories de uma rede social, entre fotos, vídeos, frases e sei lá mais o quê – todos destinados a uma existência efêmera de vinte e quatro horas –, tropecei em uma frase que se impregnou em mim e

JEFFERSON LIMA


DE ONDE NASCEM OS VERSOS
“O poeta é um fingidor Finge tão completamente Que chega a fingir que é dor A dor que deveras sente. E os que leem o que escreve, Na dor lida sentem bem, Não as duas que ele teve, Mas só a que eles não têm.” (trecho de Autopsicografia – Fernando Pessoa) No mês de março, estive no 8º Festival de Arte Contemporânea Beagá Psiu Poético. O Psiu Poético, como ficou conhecido, é um festival que tem origem na cidade de Montes Claros e mobiliza artistas e leitores há quase quatro déc

JEFFERSON LIMA
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