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POR SER AMOR…

  • Foto do escritor: JEFFERSON LIMA
    JEFFERSON LIMA
  • há 19 horas
  • 4 min de leitura


“Por ser exato, o amor não cabe em si.

Por ser encantado, o amor revela-se

Por ser amor, invade e fim.”

(Pétala - Djavan)


Não é por acaso que inicio este texto com os lindos versos de Pétala. Hoje é véspera do Dia dos Namorados, e Djavan foi a principal trilha do meu namoro com a encantadora morena que, há mais de vinte anos, completa o sentido dos meus dias.


Não quero me apegar ao fato de que as datas comemorativas são meramente comerciais, criadas para movimentar o comércio e blábláblá...


Minha intenção é dedicar uma ode ao amor, à delícia de ter alguém com quem partilhar e compartilhar os momentos da vida, à certeza de saber que alguém se importa e que, juntos, podemos celebrar as conquistas, chorar as perdas e permanecer em silêncio de amparo e cumplicidade.


“Quero fazer contigo

o que a primavera faz com as cerejas.”

(Pablo Neruda)


Na simplicidade do poeta que observa a natureza, Neruda descreveu a maior virtude de quem ama: ser fonte de felicidade para o ser amado. Para que a outra pessoa irradie o amor recebido, não precisa haver um dia específico no calendário – há todos os dias, de qualquer estação.


O meu desejo é que meu amor lhe faça tão bem, que ela floresça, espalhe o melhor perfume, transborde o melhor sorriso, levando consigo a ternura de quem se sente amada.


Lembro-me agora de uma parte muito gostosa e, possivelmente, uma das mais bonitas da nossa história. Para repartir essa fatia do nosso amor, vou, sem qualquer modéstia, evocar Álvaro de Campos, pois creio que concordaria comigo: 


“Todas as cartas de amor são

Ridículas.

Não seriam cartas de amor se não fossem

Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,

Como as outras,

Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,

Têm de ser

Ridículas.”


Toda a nossa fase de namoro foi à distância, pois morávamos em cidades diferentes – eu, já em Belo Horizonte e ela, no interior do estado. Separados por pouco mais de cem quilômetros, nos víamos a cada quinze dias. Em raras ocasiões, nos encontrávamos em semanas seguidas, mas também houve vezes em que a saudade se estendeu por até três semanas.


Somos de uma era analógica – quase incompreensível para os nascidos na virada do século. Os aparelhos celulares ainda estavam começando a desbravar o terreno e os aplicativos de mensagens rápidas ainda levariam mais de uma década para surgirem por aqui.


Para suportar as semanas de ausência, eu, que dividia um apartamento com outros seis colegas, aluguei uma Caixa Postal na agência dos Correios da Rua dos Caetés, esquina com Av. Olegário Maciel (mais analógico que isso, impossível!) e trocávamos cartas. Muitas cartas! Às vezes, depois de um domingo juntos, já estávamos enviando cartas na terça-feira...


E em cada carta, poemas... Foi uma época poeticamente frutífera, pois a saudade é inspiradora, e eu me dedicava a escrever versos para enviar junto às longas cartas. Alguns nunca foram publicados; no entanto, sobreviveram e estão gravados em nós. É bom voltar à leveza desses versos...


“Na alegria de cada encontro,

o prazer de estarmos juntinhos...

No sofrer de cada despedida,

deixo em você um pouco de mim.


Distante, tua ausência é minha dor.

Dos meus sonhos, és musa.

Em cada instante,

que tudo em mim seja apenas você.”


Depois que nos casamos, a morena organizou todas as cartas em uma pasta. Nunca mais li aquelas cartas, mas estão bem guardadas, talvez a nossa filha um dia as leia para saber mais da nossa história e tente entender como funcionava um mundo com pouquíssima tecnologia. E garanto – ela terá muito material para ler!


Fernando Pessoa sabia das coisas! Na pena de Álvaro de Campos, eternizou a constatação das ridículas e maravilhosas cartas de amor!


Ela descobrirá que, além das cartas, também enviávamos cartões. Outros tempos... Uma vez enviei um cartão imenso, que tocava uma musiquinha quando era aberto (quer algo mais ridículo que isso?) e o bendito extraviou e nunca chegou. Que decepção! Ela teria ficado nas nuvens com aquele “cartãozão”!


Quanto ao Dia dos Namorados, e daí que é uma data comercial? Está liberado dar presente, oferecer flores, sair para um lugar legal e, se desejarem, ficar em casa, saborear um bom vinho, recordar os caminhos pelos quais esse amor já passou e rir das cartas ridículas e daqueles momentos bobos que os apaixonados desfrutam e que, exatamente por serem ridículos, foram tão encantadores!


Um brinde ao amor!


“Nos versos em que anoiteço

dentro dos seus braços,

desconheço compassos

a tolher meus passos

em falsas urgências...


Se me embaraço em beijos

nos fios de seus lábios,

não careço alfarrábios,

santos e nem sábios

com vãs sapiências...


Eu quero apenas me afogar na melodia

e dedilhar outras notas

feito poesia.


Num átimo de eternidade

mais-que-perfeito,

porque não tem mais jeito,

viola-se o insuspeito

laço das cadências...


E eu quero ser apenas um suave aguaceiro,

semeando estrelas domingueiras

com seu cheiro.”


(Odete Sanábio)












12 comentários

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Clarice Soares Barreto
há 8 horas
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Ah poeta Jefferson! Tô aqui em Laranjal Paulista/SP, emocionada com sua trajetória de amor. Viajei e lembrei das minhas cartas que acompanhavam marcas de baton num beijo selado na pétala de rosa que ganhava do amado. Como sempre, ler você é uma viagem honestamente romântica. Adorei❤️

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Jefferson Lima
Jefferson Lima
há 8 horas
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Olha, que revelação romântica, Clarice! Com certeza o "ursão" amava receber seus beijos envelopados!

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Jose França
há 15 horas
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Que texto lindo! Amei saber que houve estas trocas de cartas. Em meu tempo também foi assim. E os cartões? Os cartões ajudaram muito a vencer o medo e encorajavam os voos para momentos mais picantes. Em junho passado, eu publiquei um texto que fala sobre a criatividade dos namorados para ter um dia maravilhoso fugindo dos apelos publicitários e consumistas em uma época de "Love is in the air". Como sempre, amei as intertextualidades. Falar de amor é necessário, além de lindo.

Parabéns pelo texto. UM ABRAÇO grande.

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Jefferson Lima
Jefferson Lima
há 8 horas
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Hoje é tudo tão líquido, nas mensagens que se apagam com o tempo e não guardam memórias. Vivemos em um tempo analógico, mas muito feliz! Obrigado pelo seu comentário, amigo!

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Sandra Lima
há 18 horas
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Lindo demais esses versos 😍

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Jefferson Lima
Jefferson Lima
há 8 horas
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Você me inspira, Morena!!!

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Rute Tortieri Coelho
há 18 horas
Avaliado com 5 de 5 estrelas.
  • Ah, que história linda! Me identifiquei muito. Quem sabe esse amor à distância não foi justamente a faísca que despertou o poeta em você?

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Jefferson Lima
Jefferson Lima
há 8 horas
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Rute, você tem razão! Inúmeros poemas nasceram nesta época deliciosa... rsrs

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Ilma Pereira
há 18 horas
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Jefferson,

Amei saber que sua trilha sonora com Sandra foi a mesma que embalou a minha e de meu amor. Como Djavan sabe de amor e de amar...

Seu texto está belíssimo e muito de acordo com o dia dos namorados. Ah! E que lembrança me trouxe o poema da encantada Odete Sanábio.

Parabéns!

Abraço,

Ilma

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Jefferson Lima
Jefferson Lima
há 8 horas
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Ilma, vamos deixar de modéstia e fazer uma provocação: casal embalado pelas canções do Djavan são mais apaixonados, não é? kkk

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