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PEDALE, QUE EU SEGURO
Ele tinha quatro anos e as pernas mal alcançavam os pedais. Eu segurava o banco da bicicleta com as duas mãos, e ele, desconfiado do próprio equilíbrio, olhava para trás a cada duas pedaladas, como quem conferia se eu ainda estava ali. — Pedale e olhe para frente — eu dizia. — Eu estou aqui. Eu seguro. Ele pedalava mais um pouco. Olhava para trás. Eu continuava ali. Talvez ele não soubesse, naquela época, que eu não segurava apenas o banco da bicicleta. Segurava também o medo

CARLA KIRILOS


SOBRE-VIVÊNCIA
Vejo pessoas… por aí. Vejo olhares, dores… e o sangrar. Vejo vazios. Vejo além do que a maioria pode. Vejo tudo o que quero ver E o que não quero. Ao olhar. Mesmo quando nem quero olhar. Vejo necessidades. Vejo sensações. Vejo expressões E nelas, vejo falsidades. Mesmo na ausência de animosidade, vejo raiva. Vejo tristeza e alegria na mesma intensidade. Vejo inconsistências. Incapacidades, fraquezas, desconexões. Enxergo desencontros… desalinhos. Também vejo sinceridades. V

RUBIA ARCE Admin Blog


O QUE APRENDI COM O AMOR
A primeira e, provavelmente, mais verdadeira paixão que já experimentei foi, senão, um sonho, uma esperança ocupando um lugar predestinado em minha mente e, mais perigoso ainda, no coração. Este, possui a carne mais feia, pois é verdadeiro, e a dor é a coisa mais real que existe. Paris: a representação dos sonhos. Quando pensamos que experimentamos o amor, tudo se dissolve como açúcar, tudo é irreal, mas tão verdadeiro, com as pinturas de Salvador Dali. Onde se esconde o meu

ANA BEATRIZ


O BANQUETE DOS ELEITOS
Este texto procura construir uma análise filosófico-religiosa sobre aqueles que nasceram e cresceram como todo mundo, mas, de repente, quando os que lhes eram próximos esperavam acontecimentos comuns, idênticos aos da maioria, surpreendentemente, abandonaram tais expectativas e se colocaram diante das injustiças humanas presentes no universo. Desprezaram o individualismo, abraçaram a alteridade e partiram em missão para fazer o bem, com o objetivo de edificar um mundo melhor,

JOSÉ FRANÇA


UMA VINGANÇA ELEGANTE
Fofocas literárias, mas que só lhe farão bem! Eu sou Ilma Pereira e aqui te coloco a par das fofocas do mundo literário. Dia desses, conversando com uma querida leitora, Clarice Barreto, ela me pôs uma pulga atrás da orelha: o escritor Thomas Mann havia se vingado do também escritor russo Dostoiévski. Na mesma hora, lembrei-me de uma frase icônica sobre vingança, proferida pelo inesquecível Seu Madruga, no seriado Chaves, para o personagem Quico: “ A vingança nunca é plena,

ILMA PEREIRA


A CORDA NO CHÃO
A corda ficou no chão. Em meio às imagens, aos vídeos, às reportagens e às inúmeras perguntas que surgiram depois da tragédia em Limeira, há um mês, foi essa a cena que permaneceu comigo. A corda ficou no chão. Talvez porque algumas imagens consigam resumir uma história inteira. Uma jovem foi lançada de uma ponte acreditando que a segurança havia sido verificada. Havia pessoas ao redor. Havia procedimentos. Havia orientações. Havia profissionais. Mas a corda que deveria suste

CARLA KIRILOS
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