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SOBRE-VIVÊNCIA

Foto do escritor: RUBIA ARCE Admin Blog
RUBIA ARCE Admin Blog
30 de jul.
1 min de leitura

Atualizado: 30 de jul.


Vejo pessoas… por aí.


Vejo olhares, dores… e o sangrar.


Vejo vazios.


Vejo além do que a maioria pode.


Vejo tudo o que quero ver


E o que não quero.


Ao olhar. Mesmo quando nem quero olhar.


Vejo necessidades.


Vejo sensações.


Vejo expressões 


E nelas, vejo falsidades. 


Mesmo na ausência de animosidade, vejo raiva.


Vejo tristeza e alegria na mesma intensidade.


Vejo inconsistências.


Incapacidades, fraquezas, desconexões.


Enxergo desencontros… desalinhos.


Também vejo sinceridades.


Vejo belezas profundas e grandiosidade.


Vejo sentimentos.


Vejo pulsar, aquecer e esfriar.


Em cada movimento, ao chegar e ao sair.


Tom das palavras, comportamentos. 


Leio e interpreto. 


Desde quando? Desde sempre.


Com o tempo, aprendi a não demonstrar tanto, a fingir não ver. 


Desviar o olhar. Desperceber.


Fingir ignorar para sobreviver.


Foi preciso. 


E me tornei muito boa nisso. 


Tão boa, que quem olha, subestima. 








10 comentários

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Michelle MKO
24 de ago.
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Esse ato de fingir não ver me trouxe Fernando Pessoa que dizia sobre o fingimento do poeta: “O poeta é um fingidor. / Finge tão completamente / Que chega a fingir que é dor / A dor que deveras sente.” Os mecanismos de defesa e de sobrevivência que precisamos criar ao longo da vida são surpreendentes, né?

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RUBIA ARCE Admin Blog
RUBIA ARCE Admin Blog
30 de ago.
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Sem dúvida, Michelle. E acabamos acreditanto neles como forma de vida.

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Convidado:
02 de ago.

Oi Rúbia, tive a mesma sensação do França. Esperava prosa como é seu costume e veio um poema. E confesso que sua escrita em poema é muito melhor e mais elegante. Você descreveu o verdadeiro sentido das vivências, os sinônimos e os antônimos. Feliz de quem sabe discernir, proteger e se comportar diante das diferenças de sentimentos. Mesmo querendo, a gente não sabe como mudar. A vivência em grupos é necessária, mesmo deparando com dores e tristezas que não podemos mudar. Baktin dizia, "O ser humano é um ser socialmente dependente."

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RUBIA ARCE Admin Blog
RUBIA ARCE Admin Blog
03 de ago.
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Você não assinou o comentário, mas agradeço as palavras e observações precisas sobre a minha escrita. Esse poema trata de um retrato de vivência pessoal, e a poesia é o formato mais espetacular de transbordar.🌻

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Jefferson Lima
Jefferson Lima
31 de jul.
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Um olhar aguçado, sensível e consciente para as relações humanas, quando acompanhado de sabedoria nas ações, faz toda a diferença! Belo versejar, Rúbia!

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RUBIA ARCE Admin Blog
RUBIA ARCE Admin Blog
03 de ago.
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A definição de sabedoria nas ações é subjetiva, Jefferson. Porque, claramente, vai depender da perspectiva de quem olha. E compreender isso mudou a minha vida.

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Convidado:
31 de jul.
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Frente à manifestação das pessoas aos processos da vida, se proteger foi a escolha possível.

Namastê!

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RUBIA ARCE Admin Blog
RUBIA ARCE Admin Blog
31 de jul.
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É assim que funciona, querida Beth. 🌻

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José França
31 de jul.

Olá, Rubia! Eu estava esperando um texto em prosa, mas veio uma poesia linda. Percebi que ela revela uma sensibilidade aguçada diante das expressões humanas. Você descreve a maneira como enxerga tanto dores e falsidades quanto sinceridades e belezas profundas. Essa percepção intensa, porém, exige de você o ato de “fingir não ver” para sobreviver emocionalmente. É uma reflexão sobre a necessidade de se proteger diante da complexidade dos sentimentos e das contradições que permeiam as relações humanas. E por falar em relação humana, você é ótima nisso. Tantos textos lindos você já escreveu sobre este tema.

Parabéns! Um grande abraço.

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RUBIA ARCE Admin Blog
RUBIA ARCE Admin Blog
31 de jul.
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José, sempre com uma precisão cirúrgica e uma gentileza adorável! Às vezes, o que sentimos transborda por nossa escrita, e a poesia cumpre muito bem esse papel. 🌻

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