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A BOTA
Durante uma viagem, para conhecer o famoso Festival Café com Biscoito, interior de Minas, conheci uma incrível contadora de estórias!! Uma que nos ensina como lidar com desencontros conjugais de forma, absolutamente, hilária. “..., porque o alívio se revela no esvaziar dos pulmões, um pulmão cheio de ar está tomado de fôlego, de prontidão, e foi justamente a sensação de não precisar mais de fôlego, nem prontidão, que tomou conta...” – Carla Madeira Esse episódio sobre fôlego


RECORDAR É VIVER?
A agulha desce sobre o vinil e há aquele instante de chiado antes da música começar — meio segundo em que o silêncio ainda não decidiu se vai virar som. Depois vem o acorde. "Recordar é viver, eu ontem sonhei com você…" A canção é de 1955. Eu ainda nem existia quando ela nasceu. E, no entanto, basta ouvir os primeiros acordes para que alguma coisa dentro da gente reconheça a melodia — e, por três minutos, a sala parece ter dois endereços ao mesmo tempo: o de hoje e o de outro


RIOZINHOS DE MINHAS MÃOS
Aperto profundamente meu punho Navego pelos latejos Pelas águas vermelhas que são. Que correm dentro, latejam fora Nos leitos de minhas mãos. Estou viva Vivinha da silva. Trazem em suas correntezas Oxigênio dos pulmões Nutrientes de tecidos diversos. Mantém minhas mãos vivas Meus dedos flácidos Para eu escrever versos. Estou viva Vivinha da silva. Sangue é água, sangue é vida Sangue é arte pura, a cara da paixão e do amor Feita com sabedoria divina na criação do Salvador. Es


SOBRE AS AREIAS DO MEU TEMPO
“Mas é preciso escolher. Porque o tempo foge. Não há tempo para tudo. Não poderei escutar todas as músicas que desejo, não poderei ler todos os livros que desejo, não poderei abraçar todas as pessoas que desejo. É necessário aprender a arte de “abrir mão” – a fim de nos dedicarmos àquilo que é essencial. (Rubem Alves) Estou a poucos dias de completar meus primeiros cinquenta anos! Por ser um marco na minha existência, resolvi celebrar com o lançamento de um novo livro: Para A


AGOSTO
Agosto chegou. É um mês de alegrias, pois muitas e muitas pessoas queridas fazem aniversário, como a minha filha. É o mês em que aniversario também. Mas é um mês em que tive perdas. Muitas e muitas pessoas queridas se foram muito cedo. Porém o que me salva na hora que a saudade vem para me estrangular é a literatura. Então gosto de revisitar o que disse Guimarães Rosa: "O mundo é mágico: as pessoas não morrem, ficam encantadas… a gente morre é para provar que viveu". Ficar "


PEDALE, QUE EU SEGURO
Ele tinha quatro anos e as pernas mal alcançavam os pedais. Eu segurava o banco da bicicleta com as duas mãos, e ele, desconfiado do próprio equilíbrio, olhava para trás a cada duas pedaladas, como quem conferia se eu ainda estava ali. — Pedale e olhe para frente — eu dizia. — Eu estou aqui. Eu seguro. Ele pedalava mais um pouco. Olhava para trás. Eu continuava ali. Talvez ele não soubesse, naquela época, que eu não segurava apenas o banco da bicicleta. Segurava também o medo
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