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A TRAVESSIA
O ônibus para perto da escola, assim que desço vejo crianças saindo eufóricas, e é estranho pensar que eu já fui uma delas. Parece que vai chover, devia ter trago a sombrinha, mas isso já não importa agora. Ando algumas ruas até ver um portão rosa desbotado. Mas te alerto: tudo que irei ver agora é irreal, e mergulhar nesse mundo é sempre um risco, porque você pode até sair dele, mas ele não quer sair de você. A primeira coisa que noto são as margaridas na janela, então vou


AMOR EM TEMPOS DE HIPERTENSÃO
No capitalismo, as datas passam a representar cifras: Natal, Dia das Mães, dos Pais e dos Namorados são algumas das oportunidades de transformar afeto em lucro. Mas, sem querer minimizar os danos desse manejo comercial, podemos falar de o quanto essas datas podem, de alguma maneira, levar algumas pessoas a sentirem permissão para demonstrarem o que sentem e hastearem a bandeira de seus amores? Quem diz que o amor segue calendário? Não deveria ser tão desafiador falar e mostra


SERES TEMPORAIS
“A existência é um arco temporal não é a presença.” Neste momento, a existência é compreendida como um transitar temporal e eu existo no AGORA, mergulhada no contexto em que as pessoas deixam de ser presença e continuam existindo no interior das memórias. Espaço da validação do AGORA, onde, entre paredes de vidro, em plena tarde plena, saboreando sorvete, observo veículos e pessoas circulando lá fora, ao mesmo tempo em que percorro o caminho por entre presenças invisíveis


ROTA DOS SONHOS: DE MENINA À MULHER, O PERCURSO DA RUPTURA
Estamos no mês de maio. Mês emblemático porque mexe com dois temas que interferem no imaginário social: a maternidade e o casamento. Mas, o que tais datas suscitam em nós? Vamos conversar um pouco sobre esses temas? É muito comum meninas crescerem sonhando em se casarem e serem mães. A própria estrutura social já molda as meninas para isso, fazendo uma diferenciação dos brinquedos, por exemplo. Meninas ganham bonecas, jogos de chá, fogãozinho, geladeira e meninos ganham carri


E ELAS SE VESTIRAM DE HOMEM …E COLOCARAM SEUS NOMES NA HISTÓRIA.
Apesar de ser um tema universal, inicia-se esta crônica pela senda do localismo. No devir constante da existência, a história apresentou-se de forma cruel às mulheres, mas, navegando em mares opostos, elas feriram profundamente a narrativa com o punhal da sagacidade, da inteligência, da esperteza, da malícia, dos mistérios e do enigma e, por não dizer, da beleza. Como tão bem afirma o narrador Bentinho no drama universal machadiano Dom Casmurro , o olhar de Capitu é o olhar d


Codinome
SALVE 8 DE MARÇO! PARABÉNS, MULHER! Seja você Maria Quitéria Ou uma destemida Mariele Talvez uma sábia Carolina Ou uma forte Georgina Segure o baque Aguente o embate Pode ser simplesmente Uma doce Ana Maria Que traz no sorriso sua simpatia Ou talvez uma mulher indômita E quem sabe o seu nome Pode ser Antônia... Mas que importa o nome? Se você traz a marca de Eva Será criticada e vilipendiada Te jogarão nas trevas Porém resiliência é seu codinome Desfaça os laços Arranque os t
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