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SERES TEMPORAIS

  • Foto do escritor: BETH BRETAS
    BETH BRETAS
  • há 4 dias
  • 3 min de leitura

A existência é um arco temporal não é a presença.”


Neste momento, a existência é compreendida como um transitar temporal e eu existo no AGORA, mergulhada no contexto em que as pessoas deixam de ser  presença e continuam existindo no interior das memórias.


 

Espaço  da validação do AGORA, onde, entre paredes de vidro, em plena tarde plena, saboreando sorvete, observo veículos e pessoas circulando lá fora, ao mesmo tempo em que percorro o caminho por entre presenças invisíveis que continuam habitando minha existência muito além do espaço em que habito.


Espaço da ordem certa das coisas - presença depois da não presença – onde mora nosso grande desafio: viver sem ter a ilusão de tempo infinito com o outro. 


Esse desafio, talvez seja o nosso maior peso, porque, inegavelmente,  viver é uma experiência, onde tudo está atrelado às ilusões que nos fazem esquecer do processo desafiador, de continuar vivendo, quando o outro se for.


“Se a vida se apaga no espaço

Cada instante me pede sentir

Na memória de tudo o que eu sou.” 

(Canção cubana – Un bejo y el silêncio)


Estou no tempo da percepção em que as pessoas possuem vida própria e só temporariamente, dividem o espaço conosco. Espaço, onde precisamos elaborar nosso caminho em temperatura morna, mantendo o estado que guarda o que somos.

 

O Estado que nos individualiza em meio ao todo ao qual pertencemos, dentro de um único Universo que nos acolhe, sem distinção, como parte de um Cosmo que nos permite manifestar um pouco de apartação, até sermos capazes de entender a verdadeira essência da vida e respirarmos “sem urgência como quem já compreende.”  


“Quando a alma encontra sua forma de calma

O tempo não empurra, só acompanha 

O corpo que entende o ritmo...” 

(Canção cubana: Donde Se Cruza el Aire)


E nesta difícil tarefa de expressar o corpo entendendo o ritmo da vida atemporal – um estado sem presença para existir,  sem necessidade de personalidade para se apresentar - onde encontramos a manifestação da força inabalável da essência das pessoas, das coisas, existindo na ausência do tempo, posso não conseguir me expressar.


“Debaixo do mesmo sol todos caminhamos...

No que vejo não há fronteiras, só horizonte

E um céu aberto que sempre responde

E em cada estrela que a alma recolhe

Há um abraço que nunca se rompe.”

(Canção cubana: Bajo el Mismo Sol)


“No abraço que nunca se rompe”, uma amiga deixou de ser presença e se tornou lembrança do tempo em que me recebia com tanta alegria, demonstrava o quanto me amava – me tratava como estrela, me fazia sentir desfilando sob o tapete vermelho…


Aquele Ser que, para a vida, foi temporal, mas que para a existência é atemporal – é uma amiga para sempre presente.


Amiga tão especial que, no último momento, ainda me presenteou com prazer e alegria de quem sabe presentear uma amiga, sem saber que está presenteando – porque ela não soube, mas se soubesse ficaria tão feliz por ter contribuído para um encontro que ela sabia ser tão valioso para mim -  um jantar Dia das Mães, com as duas pessoas de maior significado na minha vida.


Para todos os presentes que você me deu, todos os momentos que você me proporcionou e para todos os momentos que compartilhamos, como aquele em que saimos embaladas só pela vontade de ir ao cinema, entrando no Cine Palladium, comprando ingressos, sem escolher o filme, porque o mais importante era ir ao cinema, comprar pipoca, refrigerante como duas mulheres independentes, escolhendo a fileira do centro…


E, então, o filme sobre gueixas começou, nos entreolhamos com os olhos arregalados, você olhava para a plateia com medo de ver alguém conhecido, afinal, você era uma mulher casada…


O filme nos desorientou - por nos imaginarmos dentro do olhar do outro - e se tornou nosso segredo, frente a tantas censuras que pudessem surgir.


Quando a sessão terminou, voltamos para a vida normal de mulheres submissas, percorrendo a Av. Afonso Pena, gargalhando, pernas cambaleantes, num entardecer de tantos anos atrás, esbarrando nas pessoas que nos olhavam como se fossemos loucas...


MINHA ETERNA GRATIDÃO, AMIGA!


NAMASTÊ!











11 comentários

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há um dia
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Oi Beth, adorei o texto...

Tem uma coragem bonita aí: falar de dor sem dramatizar, falar de amor sem precisar explicar. Você entende que gente vira tempo, que amiga vira horizonte, e coloca isso no papel com uma delicadeza que só quem sente fundo, consegue.

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Jefferson Lima
Jefferson Lima
há 2 dias
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Linda homenagem, Beth! Como é bom ser sensível para acolher no coração os momentos que dão significado à passagem por aqui...

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há 3 dias
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Muito bonito o texto em homenagem à mâe! Gratidão!

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Convidado:
há 3 dias
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Lindo!!!Lindo!!

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Convidado:
há 3 dias
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Beth, como fico grata que você ainda consegue ver poesia neste mundo. Sabe, fico , digamos assim, 500 tons de bege e penso: sou feliz , conheço uma poetisa! Sério, tirar tanta coisa boa de tanta tragédia, é porque você tem o dom divino e só posso agradecer de um dia ter participado de tudo isto.

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