ESCRITORES INVENTORES

Fofocas literárias… mas edificantes.
Olá, sou Ilma Pereira e aqui me dedico à fofocas literárias, mas que só lhe farão bem.

Quando pensamos em escritores, famosos, com milhões de livros vendidos, sempre os imaginamos tranquilos, com a única preocupação de escrever suas histórias.
Hoje quero contar para você que muitos autores não se dedicaram só a escrever. Não. Eles usavam seus tempos ociosos para pensar e criar várias coisas que até hoje impactam o nosso dia a dia.
Não acredita? Vamos lá então.
Comecemos com Franz Kafka, autor dos famosos “A metamorfose”, “O processo”, “O castelo”, dentre outros. Kafka era comumente insultado de inseto pelo seu pai que o queria mais dinâmico, mais forte. Ele bem que tentou. Aluno exemplar, conquistou o diploma de advogado, mas o pequeno Franz descobriu que seu único meio de libertação seria por meio da leitura e da escrita — atividades que seu pai considerava triviais e sem valor. Um fiasco como advogado, ele trabalhou com seguros e dizem que era muito compassivo com os necessitados que se machucavam, tropeçavam, enfim.
Daí ele criou o capacete.
Então sempre que você passar por uma obra, ou se tiver algum dos seus lá trabalhando, pode agradecer a Kafka essa invenção.
Quem também não só escrevia, mas vivia imaginando coisas foi o norte-americano, autor de “As Aventuras de Tom Sawyer” e “As Aventuras de Huckleberry Finn” dentre outros. Mark Twain adorava bugigangas, construí-las, comprá-las, investir nelas. Era amigo íntimo de Nikola Tesla, o engenheiro e inventor sérvio-americano, famoso por suas contribuições revolucionárias sobre a eletricidade e o motor de corrente alternada. A dupla passava bastante tempo no laboratório de Tesla, montando e remendando inovações científicas.
Mark Twain patenteou três invenções: uma tira de colete autoajustado, um livro de recordações autoadesivo para fotos e lembranças e um jogo de memória histórica.
Das três, apenas o álbum de fotos e recordações lhe rendeu algum dinheiro.
Twain também foi um dos pioneiros a investir e adotar a máquina de escrever. Passou à história literária como sendo a primeira pessoa a entregar um manuscrito datilografado.
H.G. Wells, escritor inglês autor de “A guerra dos mundos”, “A Máquina do Tempo” — que leio no momento — dentre outros, foi pioneiro da ficção científica. Conhecido como um pacifista, Wells certamente adorava uma guerra, de brincadeira, é claro. Por toda sua vida, gostou de brincar com soldadinhos, até escreveu um livro sobre o assunto “Little Wars”, publicado no limiar da Primeira Guerra Mundial, que é considerado um guia de regras definitivas para o primeiro jogo de guerra recreativo do mundo.
O escritor britânico criou o primeiro sistema de jogo que permitia que os jogadores utilizassem soldados de brinquedo comercialmente disponíveis como peças e pavimentou o caminho diretamente para jogos de estratégia de tabuleiro como War, RPG, dentre outros.
Mas então como é que Wells conciliava seu pacifismo convicto com sua paixão por brincar de guerra? Ele afirmava que isso o tornava ainda mais pacifista, porque quando comparado com generais de verdade, ele os achava bufões incompetentes.No encerramento de Little Wars, ele escreveu que se as pessoas — especialmente os líderes políticos — jogassem mais "Pequenas Guerras" no chão de suas salas com bonecos de brinquedo, perceberiam como a guerra real é destrutiva, estúpida e cruel, preferindo deixar os conflitos apenas no campo dos jogos.
Com isso, demonstrava o seu temor de que sua terra, a Grã-Bretanha, entrasse em batalhas reais. Na Primeira Grande Guerra, a Grã-Bretanha perdeu 900 mil homens, provando que ele estava certo. No entanto, com esse início devastador, o próprio autor acabou se distanciando um pouco do hobby que ajudou a criar.
Seja para proteger, ajudar ou distrair, as invenções destes escritores ainda nos são muito úteis.
Esse assunto me fez pensar: o que eu poderia inventar e deixar para as próximas gerações?
Você já pensou nisso? Do que você gostaria de ser o inventor? Ou ainda, qual foi, na sua opinião, a melhor invenção até hoje?
Deixe nos comentários, vou gostar de saber.



Ilma, gostei da proposta da sua crônica, sobretudo pela maneira leve e acessível com que você aproxima a literatura de outras formas de criatividade e invenção. Sua escrita tem a qualidade de despertar a curiosidade e convidar o leitor a participar da discussão, sem transformar a leitura em algo excessivamente formal. Isso é importante e merece ser valorizado.
Acredito, contudo, que o tema oferece possibilidades de aprofundamento que poderiam enriquecer ainda mais o texto. Além de apresentar curiosidades, seria interessante explorar as questões que elas suscitam, estabelecendo relações entre criatividade, trabalho, sociedade e produção intelectual. Afinal, o que aproxima a invenção de um objeto da criação literária? Como as condições históricas e materiais influenciam aquilo que criamos e a maneira…
Ilma, escritores acabam por seres inventores por ofício ou necessidade - principalmente os independentes dos dias atuais. Pensar que, além de histórias, precisam, não poucas vezes, criar meios de divulgação; criar posts; se reinventar como "influencers", ao criar vídeos para as redes sociais; criar performances nas feiras e festas literárias, etc. Tudo para chamara a atenção e atrair o público. E numa dessas, quantos não acabam por criar um método ou um novo produto? Vai saber o que ainda está por vir...
Amooooo suas fofocas literárias
Nunca imaginei que famosos escritores pudessem ser também grandes inventores.
Mas pensando agora, depois do seu texto, quando se trata de mente criativa, é totalmente possível escritores serem inventores, na vida real.
Namastê!
Muito bacana! Uma das melhores invenções foi a das câmeras fotográficas.