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TRAJETÓRIA DE UMA NARRATIVA

17 de set.
3 min de leitura

"O Menino Que Via As Mulheres,"quando bati meus olhos neste título de  livro, pensei:


- Deve ser um adolescente. Nessa faixa etária de vida, os meninos ficam curiosos para ver o corpo nu das mulheres.


Nada disso, um enigma sobrenatural, um momento difícil em que muitos dizem ser um espírito que baixa na pessoa, ela entra em transe. Logo, vê fenômenos paranormais. André, o personagem protagonista, via mulheres de todos os tipos, todas as idades sendo torturadas de tal forma que gritavam, gemiam sem receber nenhum socorro. Uma situação tão lacrimogênica jamais imaginada pela mente humana. Mas, muitos casos são reais, possíveis a olho nu nos dias de hoje.


A essa altura da história, afirmo sem medo de errar, a criatividade é o elemento crucial para escrever uma excelente narrativa.


O enredo traçado em duas linhas paralelas, ora retas ora curvas, aponta o destino de André e de Sophia. Não acredito muito em destino, mas a gente usa, é bem poético. E a poesia está em tudo, até mesmo em uma folha de papel em branco. O segredo é que a poesia está é dentro do poeta. Nosso autor tem de sobra.


Os dois personagens principais, André e Sophia, ainda adolescentes, construíram suas histórias juntos, trilhando dois caminhos de sucesso ao mesmo tempo. Caminhos estes que todo mundo sonha e deseja percorrer. A profissão que traz o sustento durante toda vida e a pessoa amada, aquele amor que aflora na adolescência e não morre. 


Para isso, tiveram que sofrer, lutar e perseverar. Eles se conheceram na dor e na caridade. André vê um filhote de Coruja prestes a morrer, abandonado após uma terrível tempestade que derrubou seu ninho e sua mãe desapareceu. Ele se compadeceu dele, o agasalhou entre seus braços, levando para sua casa. Passou pela casa de Sophia para pedir água. Ali, naquele momento, se inicia um amor verdadeiro e duradouro. O destino, talvez.


Não demora, veio a tragédia, o acidente. André faz o parto de sua mãe, fato quase impossível na vida real. Na história aconteceu. O capítulo mais sensível e estranho do romance. Muita loucura! Nem assim deixa de ser irreal. Daí pra frente surge o sucesso de André e de Sophia. Todo mundo queria conhecer aquele garoto que salvou sua mãe, ajudando-a parir. Há mal que vem para o bem, um passo dado para uma vida abundante. André e Sophia foram parar na TV, nas redes e nas rádios, entrevistas e porque não dizer muita grana. O menino pobre criado sem a presença do pai.


André e Sophia, dois adolescentes dóceis e muito educados que se uniram pelo amor, amor por muito tempo invisível. Sua mãe ficou internada em um coma profundo. Estratégia do autor que a segurou lá para assegurar o leitor no decorrer de sua leitura.


- Será que ela vai sair do coma ou vai morrer?


Vale lembrar, também, Dona Márcia, personagem secundária de extrema sabedoria e bondade, tomou a guarda de Andreia e de André, evitando um trauma na vida dos dois. E os cuidava com muito carinho, uma legítima mãe. A pequena Andreia, a flor da narrativa, beleza e alegria de todos. Ao mesmo tempo, objeto de disputa ao olho gordo das tias e da madrasta. Elas queriam era dim - dim.


O narrador, a corujinha observadora e também personagem, foi construído na narratividade em forma de diálogo. Para mim, é a parte mais poderosa da linguagem, a vida e a participação dos personagens na história. Logo penso, os personagens é quem narram os fatos de uma forma legal e prazerosa. Estilo de Jorge Amado no Livro Tieta do Agreste. É chamativo e a leitura não é cansativa.


Enfim, uma escrita que valoriza os personagens na voz,  valores, espaços e vivências e que muitas vezes não se assemelham com o perfil da sociedade na vida real.


O autor dessa obra de arte, José França, foi meu professor de literatura. Esquisito até, eu e França temos quase a mesma idade. É porque não desisto daquilo que amo, ler e escrever mesmo na velhice.


Parabéns, França, seu livro é sucesso, estou amando.








11 comentários

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Solange Colto
20 de set.
Avaliado com 2 de 5 estrelas.

Estou lendo recentemente. Conheci o autor por meio de um evento, e é uma figura muito simpática. Mas o livro deixa a desejar em muitos pontos, apesar de possuir muitas discussões importantes. Os personagens não são desenvolvidos, o escritor não dá espaço para as personagens se quer terem voz própria com conforto. É como se ele tivesse um controle excessivo daquilo que narra, atrapalhando até nossa fruição, enquanto leitor. Creio que o escritor - e digo isso assumindo a grande possibilidade de estar errada - tem uma necessidade frenética em narrar, em falar. E isso é muito bom, mas é também o ponto fraco do texto. Além disso, até mais para uma incursão na literatura infanto juvenil que no romance…

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Maria Anésia
22 de set.
Respondendo a

Bom dia, Solange. Com esse segundo comentário seu, clareou bem e não só entendi como aprendi. E concordo plenamente que a primeira fala do livro é da coruja e ela como personagem é mais nítido do que narradora. E isso trouxe um pouco de confusão para o leitor. Muito obrigada pelo elogio e feliz de ter você aqui. Vai acrescentar muito em meu aprendizado e conhecimento. Bjos...

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Convidado:
20 de set.
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Tenho O Menino Que Via as Mulheres, mas ainda não li e, agora, ao ler seu texto, Maria Anésia, uma vontade imensa cresceu, não que ela não existisse, ela cresceu!!

Namastê!

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Maria Anésia
21 de set.
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Obrigada, Beth.

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josé França
18 de set.
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Primaramente, Maria Anésia, quer muito lhe agradecer de coração o texto que você escreveu para o blog sobre meu livro. Senti-me muito feliz e honrado. A melhor coisa para quem escreve como nós, é o reconhecimento, primeiro por parte de nossa família, segundo, por parte dos nossos amigos e, terceiro, pelo publico geral.

Você fala do meu livro com carinho. Na sequência dos parágrafos do seu texto, percebo que você acolhe meu livro e oferece colo aos meus personagens. André, realmente, precisa deste olhar compassivo: olhar de mãe, de escritora, de professoa, de poeta. Este olhar que, assim como o de André consegue ver as mulheres, o seu olhar consegue ver a beleza, a poesia e as metáforas dentro d…

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Maria Anésia
19 de set.
Respondendo a

Oi França, você merece, tantos anos levou para deixar essa obra, esse livro lindo e com tanto ensinamento para a humanidade. Grata e feliz de você ter gostado de meu texto. Há muito mais a comentar, eu fiquei por aqui. Um feliz sábado.

Editado
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Jefferson Lima
Jefferson Lima
18 de set.
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Maria Anésia, realmente este é um livro incrível! Quando concluí a leitura, me senti transbordando, a ponto de também ter a necessidade de escrever sobre ele e o impacto que causou em mim. Na época fiz uma resenha e postei no meu blog pessoal. O professor França fez um ótimo trabalho e você foi imensamente feliz ao resenhar e trazer aqui para este bendito espaço as suas impressões da obra.

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Maria Anésia
18 de set.
Respondendo a

Então, Jefferson. Um ótimo trabalho mesmo. E senti esse desejo de comentar não só pela obra, mas também pela pessoa do França que é muito gente boa. Isto faz parte para qualquer pessoa, principalmente para os artistas.

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