top of page

Buscar


CACHORRINHO CARAMELO
Ele era presença certa, quando caminhando, passava frente à porta de um depósito de material de construção, numa esquina entre duas avenidas. Ele era um representante fiel da paz - carismático, com sua postura de lord observador. Transitasse por ele quem transitasse, permanecia sem representar perigo, mantendo a cabeça levemente erguida. Passei por ele centenas de vezes e nunca parei, só lançava meu olhar admirador. Ele sentia, olhava de soslaio e cúmplices, dentro da nossa

BETH BRETAS


SOBRE-VIVÊNCIA
Vejo pessoas… por aí. Vejo olhares, dores… e o sangrar. Vejo vazios. Vejo além do que a maioria pode. Vejo tudo o que quero ver E o que não quero. Ao olhar. Mesmo quando nem quero olhar. Vejo necessidades. Vejo sensações. Vejo expressões E nelas, vejo falsidades. Mesmo na ausência de animosidade, vejo raiva. Vejo tristeza e alegria na mesma intensidade. Vejo inconsistências. Incapacidades, fraquezas, desconexões. Enxergo desencontros… desalinhos. Também vejo sinceridades. V

RUBIA ARCE Admin Blog


A CORDA NO CHÃO
A corda ficou no chão. Em meio às imagens, aos vídeos, às reportagens e às inúmeras perguntas que surgiram depois da tragédia em Limeira, há um mês, foi essa a cena que permaneceu comigo. A corda ficou no chão. Talvez porque algumas imagens consigam resumir uma história inteira. Uma jovem foi lançada de uma ponte acreditando que a segurança havia sido verificada. Havia pessoas ao redor. Havia procedimentos. Havia orientações. Havia profissionais. Mas a corda que deveria suste

CARLA KIRILOS


AMOR EM TEMPOS DE HIPERTENSÃO
No capitalismo, as datas passam a representar cifras: Natal, Dia das Mães, dos Pais e dos Namorados são algumas das oportunidades de transformar afeto em lucro. Mas, sem querer minimizar os danos desse manejo comercial, podemos falar de o quanto essas datas podem, de alguma maneira, levar algumas pessoas a sentirem permissão para demonstrarem o que sentem e hastearem a bandeira de seus amores? Quem diz que o amor segue calendário? Não deveria ser tão desafiador falar e mostra

MICHELLE MKO


O FEMINISMO DOS ÚLTIMOS SÉCULOS
Havia autoridade nos olhos da matriarca Olhava, franzia a testa e desse jeito falava. Anos depois, esses gestos sigilosos se tornavam Ecos para adolescente, jovem, moça inteira. Casava-se sob ordem superior, sem amor. Sem a mácula do pecado, seguia o marido Submissa de suas ações, suas razões. Todas elas, avó, mãe e filha. As mulheres de meus tempos Mães de todo feto que no útero caía. A pílula do dia seguinte não existia Nenhuma gestação, ela impedia. Uma década apenas, a pr

MARIA ANÉSIA
bottom of page
