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UMA CALCINHA VIAJANTE
Tudo começou quando alguém abrindo o guarda-roupa, encontrou uma calcinha. Sem perguntar para nenhuma frequentadora da casa, quem era a dona da peça, aproveitou uma oportunidade e a enviou para São Paulo. E ela foi deslizando pelo asfalto de uma rodovia, atravessando território de Minas para São Paulo, num intervalo de tempo em que a verdadeira dona nem imaginava que isso poderia estar acontecendo. Chegando em São Paulo, a encarregada da devolução, tranquilamente entregou a c

BETH BRETAS


QUAL É O NOSSO GRITO DE HOJE: RELAÇÕES DE TRABALHO E A GREVE DOS PROFESSORES
Nos últimos meses, falamos aqui sobre o burnout em suas diferentes vertentes, sobre o sofrimento que pode surgir, quando as exigências do trabalho ultrapassam os recursos que o trabalhador dispõe para enfrentá-las. Mas a vida continua. A vida laboral segue. E, com ela, seguem também os encontros, desencontros, expectativas, frustrações e conflitos que fazem parte das relações humanas e das relações de trabalho. É nesse contexto que gostaria de trazer uma questão que hoje está

TEREZINHA ARAÚJO


MITO
Daqui, por vezes, fico a indagar o que um mito vem nos apresentar. E vale pensar, vale observar… Vale avaliar… Vale ressaltar que o mito apresenta pessoas, ele diz sobre escolhas, ele revela. Parece até novela… Nem sei se podemos chamar de mito, mas algumas personalidades têm revelado muito sobre a sociedade. O agir, o pensar, o relacionar. Estamos buscando referências onde? Como? Nossa procura diz sobre nós. Escolhemos aquilo com o que nos identificamos. Eis aí uma boa quest

JUNIA CARVALHO


DEPOIS DO ALMOÇO
Ela pousa o copo na mesa, o som se espalhou por toda a sala, deu um longo suspiro de satisfação. Comera toda a refeição, era uma vitória. - Parabéns! Não deixou nem um grão. O moço na outra ponta da mesa sorria, mas ela não compreendia o motivo de tal alegria. - Você merece uma sobremesa. – Ele disse enquanto recolhia os pratos. - Não quero comer mais nada. – Ela disse com voz firme. - Mas tem aquela rapadura que a senhora ama. - Detesto rapadura. O moço levava os pratos

ANA BEATRIZ


É O CHEIRO!
“Sei que a vida vale a pena... mesmo que o pão seja caro e a liberdade, pequena...” (Ferreira Gullar) Dia desses, li a crônica Velhos Cocheiros, escrita por João do Rio, em 1908. O narrador-personagem fala sobre uma conversa que teria travado com um velho cocheiro, que fazia ponto no antigo Largo do Paço, no Rio de Janeiro, e que já estava havia vinte anos na profissão. O Braga — esse era o nome do cocheiro — falava com saudosismo dos tempos da Monarquia, das pessoas importan

JEFFERSON LIMA


O BALIZADO
Um homem balconista me foi apresentado num jantar de encontro com amigos, aqueles em que a gastronomia é deliciosa, o riso é solto e as narrativas se aconchegam numa gostosa sintonia. Ele me foi apresentado ao escutar uma conversa sobre um episódio que envolvia ele, uma garota e o seu namorado e,na versão de quem contava, a garota, frente à situação, se manifestou sem alarde, respondendo para o namorado: COMO ASSIM?! Você perdeu a noção?! E, em meio àquela conversa animad

BETH BRETAS
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