top of page

UMA CALCINHA VIAJANTE

Foto do escritor: BETH BRETAS
BETH BRETAS
há 11 minutos
2 min de leitura

Tudo começou quando alguém abrindo o guarda-roupa, encontrou uma calcinha. Sem perguntar para nenhuma frequentadora da casa, quem era a dona da peça, aproveitou uma oportunidade e a enviou para São Paulo.


E ela foi deslizando pelo asfalto de uma rodovia, atravessando território de Minas para São Paulo, num intervalo de tempo em que a verdadeira dona nem imaginava que isso poderia estar acontecendo.


Chegando em São Paulo, a encarregada da devolução, tranquilamente entregou a calcinha para a suposta dona que rodou a peça na mão e respondeu que não era dela, poderia ser de Beltrana e a entregou para retorno.


A gargalhada tomou conta do momento e a responsável pela entrega se viu na obrigação de dizer que havia alertado sobre deixar a calcinha em BH, já que a suposta dona frequentemente vem para o território mineiro. A resposta que obteve “já que você está indo, leve.” – enquanto a gargalhada continuava esquentando o ambiente.


Ao retornar, ela, a cacinha, passou por mais um constrangimento, foi colocada sob a cama da verdadeira dona que, chegando  em Minas, a colocou de volta na cama de quem queria entregá-la...


A calcinha perdeu o rumo, a origem, a direção e, como um objeto que era, passou de mão em mão, se tornando estória que ela não escreveu.


O episódio passou a ser contado como algo muito engraçado na vida familiar – um núcleo onde penso, deveria se conectar, muitas vezes, com momentos desalinhados, leves, entrelaçados e soltos, sem nenhuma confusão.


Como a desse episódio de uma calcinha irreconhecível pela própria dona que mudou de estilo e não a reconheceu -  por ter ficado um longo tempo no fundo de uma gaveta.


Essa experiência, despertou em mim a percepção sobre o quanto a vida é questão de conhecer o outro, conhecer as coisas do outro, criar experiências com o outro para saber a tendência dele -  mesmo quanto ele passeia por novo estilo.


O quanto o estilo é marca da nossa presença registrada na frequência dos ciclos em nossas vidas, ao mesmo tempo em que ele, o estilo, vai  criando a relação de identificação de “Ser Único” que somos, no meio de tanta conexão.


Porque no meio “Há uma forma onde se encontra o que nunca se perdeu.”

Canção cubana: Luz em el humo


E é aqui, na forma, que deparamos  com o ponto de identificação do outro.

“ Desejo meu nome no que ofereci

E não no que disse

Nem no que pedi.”

(Canção cubana: Huella De Lo Simple)



NAMASTÊ!









Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação*
bottom of page