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LUGAR ESCURO
Eis que, vez ou outra, a vida resolve abalar nossas estruturas. Ela bate forte, impiedosa. Escancara nossos medos, Desafia nossa fé. Desencadeia uma série de desventuras que nos impossibilita de agir. Expõe nossas fragilidades e esfrega em nossa face a insignificância que outrora insistimos em ignorar. Ela sacode com vontade. Até que nada mais esteja de pé. Tentamos segurar de um lado e de outro Sem perceber que, aos poucos, a esperança se esvai. Se alimenta de cada gota d

RUBIA ARCE Admin Blog


CACHORRINHO CARAMELO
Ele era presença certa, quando caminhando, passava frente à porta de um depósito de material de construção, numa esquina entre duas avenidas. Ele era um representante fiel da paz - carismático, com sua postura de lord observador. Transitasse por ele quem transitasse, permanecia sem representar perigo, mantendo a cabeça levemente erguida. Passei por ele centenas de vezes e nunca parei, só lançava meu olhar admirador. Ele sentia, olhava de soslaio e cúmplices, dentro da nossa

BETH BRETAS


DEPOIS DO ALMOÇO
Ela pousa o copo na mesa, o som se espalhou por toda a sala, deu um longo suspiro de satisfação. Comera toda a refeição, era uma vitória. - Parabéns! Não deixou nem um grão. O moço na outra ponta da mesa sorria, mas ela não compreendia o motivo de tal alegria. - Você merece uma sobremesa. – Ele disse enquanto recolhia os pratos. - Não quero comer mais nada. – Ela disse com voz firme. - Mas tem aquela rapadura que a senhora ama. - Detesto rapadura. O moço levava os pratos

ANA BEATRIZ


SOBRE-VIVÊNCIA
Vejo pessoas… por aí. Vejo olhares, dores… e o sangrar. Vejo vazios. Vejo além do que a maioria pode. Vejo tudo o que quero ver E o que não quero. Ao olhar. Mesmo quando nem quero olhar. Vejo necessidades. Vejo sensações. Vejo expressões E nelas, vejo falsidades. Mesmo na ausência de animosidade, vejo raiva. Vejo tristeza e alegria na mesma intensidade. Vejo inconsistências. Incapacidades, fraquezas, desconexões. Enxergo desencontros… desalinhos. Também vejo sinceridades. V

RUBIA ARCE Admin Blog


O ENCANTAMENTO QUE SE FOI
Junho chegou com suas bandeiras coloridas, seus fogos, sua promessa de calor mesmo no inverno. E, este ano, chegou também com a Copa do Mundo. Como se o país precisasse de mais uma razão para dançar — ou talvez apenas fingir que ainda dança. Durante décadas, a Copa foi quase um estado emocional do brasileiro. As ruas eram pintadas, escolas mudavam horários, repartições paravam, famílias se reuniam diante da televisão, desconhecidos se abraçavam nas esquinas após um gol e até

CARLA KIRILOS


ROTA DOS SONHOS: DE MENINA À MULHER, O PERCURSO DA RUPTURA
Estamos no mês de maio. Mês emblemático porque mexe com dois temas que interferem no imaginário social: a maternidade e o casamento. Mas, o que tais datas suscitam em nós? Vamos conversar um pouco sobre esses temas? É muito comum meninas crescerem sonhando em se casarem e serem mães. A própria estrutura social já molda as meninas para isso, fazendo uma diferenciação dos brinquedos, por exemplo. Meninas ganham bonecas, jogos de chá, fogãozinho, geladeira e meninos ganham carri

MICHELLE MKO
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