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AZUL ATEMPORAL
“Para além da vida inteira / Já que o homem não é ilha / Toda terra é sem fronteira.” Visto Piso Sinto E respiro Azul Atemporal Reinvenção da minha voz Fugindo de uma conexão bem confusa: Todas as mulheres são princesas E todos os homens são príncipes... Para além de tudo isso Sou Leoa Azul! Já vivi na Idade da Pedra Já vivi na Era Medieval Já pertenci à Era dos Templários Já habitei corpo masculino feminino Já nasci em todos os Continentes… E no AGORA sou aquariana O mês

BETH BRETAS


TV
...Então eu fechei minha mochila, respirando fundo. A casa estava em completo silencio. Provavelmente passava da meia noite. Era até estranho aquela calma após a discussão que mamãe e papai tiveram: parecia meio um sonho. Lembro de estar usando um grosso casaco com capuz, porque era uma noite muito fria e eu achava que isso me tornaria irreconhecível. Com a mochila nas costas e andando na ponta dos pés, eu deixei meu quarto. Era tudo muito simples: chegar até a sala, dest

ANA BEATRIZ


ETERNA PRIMAVERA
Era final de setembro. O ano eu já não me lembro bem. Mas faz muito tempo, porque eu ainda morava no bairro São Cosme em Santa Luzia. A data longínqua pode ser justificada pelo fato de que eu ainda não possuía carro. Em uma tarde, eu saí de casa para ir ao centro de Belo Horizonte. O antigo ônibus vermelho gastava 1h10 mais ou menos para chegar à Praça da Estação onde ficava o ponto final da linha. Naquela época, a Avenida Antônio Carlos ainda não era alargada como hoje e a

JOSÉ FRANÇA


HORIZONTE
Era uma quarta-feira: uma metade de laranja, o oposto do mundo, o avesso do estômago. Era quarta-feira, o centro de Belo Horizonte era monstruosamente harmônico, dentro da natureza das coisas. Em cada esquina uma vida pulsava, almas que no fundo vagavam meio sem rumo. Ela era apenas mais uma nesse compasso: baixa, cabelos pranchados, batom borrado e esmalte descascado. Segurava, além dos resultados dos exames, sacolas de coisas que mais tarde ela olharia sem saber o porquê co

ANA BEATRIZ


DE ONDE NASCEM OS VERSOS
“O poeta é um fingidor Finge tão completamente Que chega a fingir que é dor A dor que deveras sente. E os que leem o que escreve, Na dor lida sentem bem, Não as duas que ele teve, Mas só a que eles não têm.” (trecho de Autopsicografia – Fernando Pessoa) No mês de março, estive no 8º Festival de Arte Contemporânea Beagá Psiu Poético. O Psiu Poético, como ficou conhecido, é um festival que tem origem na cidade de Montes Claros e mobiliza artistas e leitores há quase quatro déc

JEFFERSON LIMA


A ARTE DO BOM SENSO “LASTRO, LEGADO E UM POUCO DE CAROLINA”
“Vou apertar, mas não vou acender agora;se segura, malandro, pra fazer a cabeça tem hora” (Malandragem dá um Tempo – Bezerra da Silva) O excerto acima é de um samba que ficou famoso na voz de Bezerra da Silva e que me inspirou esta crônica, não antes de se amarrar aos acontecimentos cotidianos. Mas quero iniciar fazendo justiça, citando os nomes dos compositores, quase sempre esquecidos. São eles: Adelzonilton Barbosa, Popular P e Moacyr Bombeiro, que, num contexto provavel

JEFFERSON LIMA
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