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- ANA BEATRIZ

- há 2 dias
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Atualizado: há 2 dias

...Então eu fechei minha mochila, respirando fundo.
A casa estava em completo silencio.
Provavelmente passava da meia noite. Era até estranho aquela calma após a discussão que mamãe e papai tiveram: parecia meio um sonho. Lembro de estar usando um grosso casaco com capuz, porque era uma noite muito fria e eu achava que isso me tornaria irreconhecível.
Com a mochila nas costas e andando na ponta dos pés, eu deixei meu quarto. Era tudo muito simples: chegar até a sala, destrancar a porta (com a chave que sempre ficava na estante) e sair. Chegava a ser ridículo. E no auge dos seus 13 anos é o plano perfeito.
Logo quando eu andava cautelosamente pelo corredor, reparei a luz que vinha na sala: papai teria deixado a tv ligada de novo? Ele estaria dormindo no sofá? Merda... Continuei andando, agora ainda mais devagar, quando cheguei finalmente na sala, tentei olhar com cuidado quem atrapalhava meu plano.
Você me viu logo de cara...
Você nem deve se lembrar dessa noite, mas aquela imagem ficou nunca abandonou minha mente: você sentado no sofá, seus cabelos bagunçados, seu pijama verde de dinossauro, o olhar meio sonolento e meio confuso ao me ver daquele jeito.
- Di...Diana- você disse, em meio a um bocejo. – O que ta fazendo?
- Não é da sua conta – respondo, quasse sussurrando. – o que você ta fazendo?
Observei novamente: o controle remoto em suas mãos, a tv com o volume no zero, com algum filme em preto e branco.
- Nada. – Responde. – Olhando brevemente para a tela: é filme de guerra – Você vai fugir? Encaro a tv: um solado está segurando a arma, ele está com o alvo na mira: seu oponente está distraído.
- Você é idiota? – Respondo, sem desviar do filme – isso seria burrice.
O solado está com as mãos tremendo. ele parece assustado.
- Bem, as pessoas fazem burrice.
O soldado não quer fazer isso.
- Eu não sou esse tipo de pessoa.
Ele então segura o gatilho. Ele firma o corpo. Ele precisa fazer...
- Que bom. – Você disse, me fazendo agora te encarar.
- Eu sentiria sua falta se você fosse embora. – Acrescenta. – Mesmo você sendo meio chata.
Olho para o filme: O solado atira para cima.
- Vai dormir- eu disse, indo em direção ao corredor – Você tem aula amanhã.
...Então eu voltei para o quarto, joguei a mochila num canto, me joguei na minha cama e chorei.
Acho que eu foi mais ou menos assim aquela noite. E desculpa nunca ter dito isso: eu também sentiria sua falta se você fosse embora.
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Quantas vezes, durante a vida, parece que o mais fácil é fugir, a gente se prepara e não consegue atravessar a sala, porque há sempre uma proteção invisível que aparece na hora e, sem nenhuma censura, nos impede de fugir.
Namastê!