A FONTE DA VIDA E A LIÇÃO PRIMEIRA
- ELIANE SOUZA

- 20 de abr.
- 2 min de leitura

No grande palco da vida, o que nos move, o que nos faz respirar, são os laços. As relações, meus amigos, são o oxigênio da alma, o que nos distingue e nos dá sentido. Relações profundas, que nutrem e duram, são a chave mestra para uma vida de verdade, farta e feliz.
Se a vida é escola, a maior lição não está nos livros, mas no jeito de se encontrar, de se dar. Mas, onde a gente aprende essa dança? Onde fincamos o pé para que o abraço seja firme e o olhar, sincero?
Imagine-se qual pedrinha no lago da vida. O primeiro círculo, o mais íntimo, é o berço, o ninho. Ali, no amor primeiro de pai e mãe, se traça o mapa de todos os caminhos. Sem a gente notar, essa melodia primeira ecoa em cada novo encontro, em cada adeus. É a base, o alicerce de tudo.
Lembro-me dos tempos de escola, das contas miúdas. Para entender as equações da vida, era preciso dominar o somar, o subtrair. As operações básicas. Sem elas, o castelo desmorona. E assim é com a gente, com o nosso coração.
A relação com quem nos deu o ser é a tabuada, o beabá. Depois vêm as frações, as equações mais complexas: o trabalho, a amizade, o amor que se escolhe. Mas como querer resolver a estatística do afeto se o básico ainda nos escapa? Como preencher o vazio com um amor de agora se o de antes ainda grita sem resposta? A frustração, então, se faz sombra.
É preciso voltar ao rio, à nascente. Reconciliar com as águas que nos formaram. Só assim, com o alicerce firme, poderemos construir pontes, navegar em mares abertos e, de fato, tocar em frente, com a alma leve e o coração em paz. Porque o oxigênio da vida, esse amor que nos tece, começa em nós e se espalha, feito canção que nunca finda.
Com presença.
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Belo texto!
Raiz forte não abala alicerce!!
Somos seres de interação e o quão rica é profunda precisa ser nossas relações.
Abraços Júnia
Quando tomamos consciência da importância dessa base familiar na formação humana, de certo modo, chega a ser assustador. Primeiro, ao olharmos para a nossa própria história - esse voltar ao rio, à nascente. Segundo, ao contemplar os nossos filhos e tentar identificar os efeitos da nossa influência. Beleza e paradoxos se fundem nesse bordado que compõe a arte da nossa vida. É muito bom te ler, Eliane! Abraços!
Parabéns, pelo texto, Eliane. A árvore precisa das raízes. O ser humano precisa da família. É como você disse: é lá que estão as contas miúdas, que são a base do edifício existencial. Seu texto me fez lembrar meu pai falando que ia nos ensinar a trabalhar (os sete filhos) porque na vida não tem almoço de graça. Trabalhar primeiro, sonhar depois. E nenhum teve ou tem medo de trabalhar. Medo, sim, de não ter trabalho. Amei.
Um grande abraço.
Sinto, cada vez mais, o quanto a nossa infância modela todo o nosso futuro. O quanto as primeiras lições de vida, as primeiras referências familiares se tornam nosso imenso desafio que é ser capaz de reavaliar conceitos e descobrir nossas próprias respostas.
Namastê!