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AS RAÍZES VERDE-AMARELAS DE THOMAS MANN

  • Foto do escritor: ILMA PEREIRA
    ILMA PEREIRA
  • 7 de jun.
  • 3 min de leitura
Fofocas literárias, mas… edificantes e que só lhe farão bem.

A fofoca de hoje me surpreendeu realmente. Segue o fluxo e se surpreenda também.



Não é segredo pra ninguém que sou uma devoradora de livros desde a  infância. Conto nos dedos de uma das mãos os livros que não consegui concluir. Um deles é o famoso “A montanha mágica” de Thomas Mann. Por duas vezes tentei, mas não consegui subir a montanha de quase mil páginas.


“Se quer ir rápido, vá sozinho. Se quer ir longe, vá em grupo.” Esse provérbio africano me deu a solução. E eis que um dos clubes de leitura do qual participo, “O ato de ler”, topou não só subir como desbravar “A montanha mágica” comigo.


Mas aí é que vem a surpresa. Ao pesquisar sobre o autor, descubro que o alemão Thomas Mann, um dos escritores mais aclamados não só na Alemanha mas em todo o mundo,  era filho de uma brasileira.


Júlia Mann nasceu em Paraty - RJ, mas aos 7 anos a família se mudou para a Alemanha. Possuía uma sensibilidade distinta, um temperamento marcado por certa leveza e imaginação que contrastava com o ambiente burguês e disciplinado de Lübeck, onde se casou e nasceu Thomas Mann, em 1875.


Mann reconheceu essa influência ao dizer que algo essencial veio de sua mãe, que  devia ao “sangue brasileiro” uma clareza de estilo e um espírito menos rígido do que o alemão tradicional. O impacto de Júlia na vida dos filhos é inegável. Ela foi uma mãe atenciosa, com uma profunda sensibilidade e um amor por contar histórias, algo que certamente influenciou o desenvolvimento literário de seus filhos.


A morte do pai, Heinrich Mann, em 1891, levou à liquidação da firma da família, pois o jovem Thomas não tinha nenhuma inclinação para os negócios. Os Mann  então deixaram Lübeck e se mudaram para Munique, centro cultural e intelectual da época. Sua mãe, Júlia, vira uma agitadora cultural, promovendo saraus literários e festas em sua casa.


Thomas Mann, em particular, foi profundamente marcado pela dualidade cultural de sua mãe. O exotismo e o contraste entre as tradições alemãs e a “outra realidade” que sua mãe representava — o Brasil tropical e vibrante — são temas recorrentes em sua obra. A fusão dessas influências é clara em seus romances, especialmente em Os Buddenbrooks, obra que lhe garantiu o Prêmio Nobel de Literatura em 1929.


Mas Os Buddenbrooks gerou críticas de familiares que perceberam se tratar de uma crítica à sociedade de Lübeck, sua cidade natal. Um tio se referiu a Thomas como “um pássaro que emporcalhou o próprio ninho”.  

 

Sua obra se tornou um espelho incômodo, pois retrata as transformações da Alemanha e da Europa entre o fim do século XIX e as guerras mundiais, como nos conta o enredo de “A montanha mágica”. 

 

Foi por causa do sucesso deste livro que Thomas Mann foi indicado pela segunda vez ao prêmio Nobel de Literatura.


A história de Júlia da Silva Bruhns, ou Júlia Mann, é um exemplo fascinante de como as raízes culturais e as experiências de vida de uma pessoa podem ter um impacto profundo nas gerações futuras. Sua vida entre dois mundos, entre o Brasil tropical e a Alemanha conservadora, é uma história de resistência, adaptação e inspiração. Através de seus filhos, especialmente Thomas, o legado de Julia deixou uma marca indelével na literatura mundial, refletido nas obras que moldaram a literatura do século XX.


Eu não sei vocês, mas é claro que depois de saber de suas raízes brasileiras, dessa vez, conseguirei subir essa montanha e celebrar o magnífico autor que foi Thomas Mann.











7 comentários

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José França
11 de jul.

Olá, Ilma. No ano de 2013 a Feira Literária de Paraty promoveu o lançamento do livro Terra Mátria – A família de Thomas Mann e o Brasil, celebrando o neto do escritor e as raízes brasileiras da família. Eu estava lá e vi e assisti a vários eventos falando da família e das obras do genial escritor alemão de sangue brasileiro. Paraty, naqueles 4 dias, respirou a familia Mann. E, de minha parte, eu acho a homenagem muito válida. E melhor é que você tocou este assunto. Eu li A Floresta Mágica rapidamente, (se é que se pode ler rapidamente um livro de 957 páginas) quando estava na faculdade para fazer um trabalho sobre literatura alemã. Confesso que preferia Kafka, mas…

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Convidado:
13 de jun.
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Sempre aprendo algo novo lendo suas fofocas literárias. Bom demais! Beijocas, Carla Kirilos

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Convidado:
10 de jun.
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Boa subida,Ilma! Que seja incrível o panorama no topo da montanha.

Namastê!

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Maria Cristina
09 de jun.
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Sabendo da fofoca, fiquei tentada a subir a montanha também!

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Neka Martins
08 de jun.
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Que fofoca maravilhosa! Amei saber disso, ainda mais com esse texto primoroso. Parabéns!

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