SUA PRESSA, MEU DESASSOSSEGO?
- RUBIA ARCE Admin Blog

- há 2 dias
- 3 min de leitura
Atualizado: há 14 horas

Passos largos... Passos curtos... E uma infinidade de caminhantes a passear. Tropeça-se aqui e cai-se acolá. Estendem-se tapetes por onde nunca mais poderia querer passar.
A alguns, interessa menos o destino, e mais os passos que serão dados, porque sabem que alguém, em algum momento, nas pegadas deixadas, pode querer pisar. Onde pisar, por onde passar, qual caminho escolher… Isso importa? Muito. Deveras importará a quem se importa.
Caminhante observadora que sou e debruçada sobre os estudos da Neurociência, a cada dia grita-me a urgência de apreender a autorresponsabilização.
Eu? Responsável? Tu? Responsável? Reflito em demasia sobre tal tema que me atravessa as convivências. Qual seria o mundo se cada um assumisse a responsabilidade que lhe cabe diante do que lhe aborda a vida?
Dia desses, atendi um aluno que chegou esbaforido à minha sala da universidade - havia perdido todos os prazos de agendamento de um trabalho que deveria ter realizado até novembro do ano passado. Estamos praticamente em abril, e ele adentra minha sala com a seguinte demanda:
―Gostaria de realizar a parte prática do trabalho aqui no polo.
―Você fez o agendamento? Perguntei.
―Não. É que eu não consegui agendar.
―Por que não? Retruquei.
―Acho que está fora do prazo.
Abri a plataforma e lá estavam todos os prazos expirados desde o ano passado, e a disciplina já com status REPROVADO.
Tive que dizer a ele o óbvio, que ele não poderia realizar a prática naquele dia. E ele iniciou uma série de justificativas para eu burlar as regras da instituição a favor dele. Disse que morava distante, que para ele voltar seria difícil, que não custava nada deixá-lo realizar a prática e depois, quando ele fosse repetir a disciplina, faria o agendamento e ficaria como se ele tivesse comparecido ao polo no dia do agendamento. Saiu reclamando porque não foi atendido como gostaria.
Senso de autorresponsabilidade altamente prejudicado, atitudes que provocam exposição de outras pessoas ao desgaste de serem culpabilizadas, a todo custo, pelas desventuras resultantes de suas próprias escolhas de vida. Urgências oriundas da total falta de planejamento, emergências partidas da má estruturação causa das inúmeras decisões mal pensadas. Descontrole exacerbado.
Não. Não há controle absoluto. E nem se deve tentar alcançá-lo. Minha reflexão está voltada para a postura que algumas pessoas assumem na alternativa: aconchegar-se no solo quentinho da vítima do mal acaso, culpando a sorte, o destino, Deus e as pessoas, esperando serem eternamente “salvas" de sua própria mediocridade.
Trazendo para a perspectiva cotidiana, lidamos com pessoas assim o tempo todo. Acompanhamos pessoas de todas as áreas da nossa vida tentando sobreviver a uma existência caótica construída a partir de suas próprias atitudes.
E tudo isso ressoa, enrijece relações, quebra relacionamentos, porque não se pode assumir o lugar de salvador para sempre. Não se pode ser o que sempre deve ter empatia, entender, compreender, ajudar. E quando alguém, por conta da desordem criada por ele próprio, assume o lugar da pessoa que "sempre precisa”, os que estão ao seu redor buscando uma vida equilibrada, tomando melhores decisões sobre sua própria vida, fatalmente vão precisar assumir o lugar do que salva.
A urgência de alguém mal organizado sempre parece mais importante que a paciência de quem está fazendo tudo certo.
Vic Brow
O encontro com um ensinamento valioso da vida se dá quando entendemos que - parafraseando a própria Vic - cada vez que cedemos para esse tipo de comportamento das pessoas, sinalizamos que o desespero delas é mais importante que a nossa paz.
Agradeço por ler até aqui!
Com amor.
Até a próxima!
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Para mim, uma das coisas mais difíceis da vida é lidar com a irresponsabilidade dos outros e, consequentemente, com os danos que isto pode causar. Fechou seu texto com perfeição. Parabéns! Beijocas, Carla Kirilos
Seja deliberada - por desorganização ou displicência - ou ocasional, pois imprevistos acontecem, é imprescindível que cada um se sinta responsável pelas próprias quebras de um compromisso. E é tão fácil detectar quando a condição de vítima é uma constante e quando um pedido de desculpas é genuíno, por uma falta pontual. A primeira é muito desgastante! Parabéns pelo texto, Rúbia!
Seu texto,Rúbia, me fez lembrar uma pessoa querida, que já deixou este mundo e que muito me ensinou. Ele ficava bravo comigo e um dia: “Para de ser coração mole! Uma pessoa adulta sabe o que está fazendo,porque ela não é mais criança, se for perdoada, fará de novo, da próxima vez.”
Namastê!