A BOTA

Durante uma viagem, para conhecer o famoso Festival Café com Biscoito, interior de Minas, conheci uma incrível contadora de estórias!! Uma que nos ensina como lidar com desencontros conjugais de forma, absolutamente, hilária.
“..., porque o alívio se revela no esvaziar dos pulmões, um pulmão cheio de ar está tomado de fôlego, de prontidão, e foi justamente a sensação de não precisar mais de fôlego, nem prontidão, que tomou conta...” – Carla Madeira
Esse episódio sobre fôlego foi contado por alguém que sabe contar, pausar, gesticular, sem nenhuma pressa, sem nenhum constrangimento, ao som de muitas gargalhadas, depois de uma experiência gostosa de café com biscoito. Um episódio ímpar para quem quisesse ouvir, naquele dia que entardecia dentro de um ônibus.
Tenho um marido muito chato - aquele que deseja ser considerado “um bom marido”, sendo uma das suas inconveniências, gostar de realizar os meus desejos.
E foi assim que essa estória começou, quando ela, numa mesa entre amigos, expressou que queria comprar uma bota. Ele, “o bom marido”, providenciou o presente ao gosto dele, comprando uma bota marrom, sem saber que ela queria uma preta!
Ela passou a ter uma bota que não usava, por nunca combinar com o look escolhido. Ele, o marido, sempre que a via arrumada, perguntava pela bota e o motivo pela qual não a usava. Mil desculpas tinha que elaborar.
Um dia, decidiu resolver o problema dela e do marido. Comprou a bota preta desejada. Quando chegou em casa, ele já estava deitado. Tomou um banho, se lambuzou com o melhor creme que tinha e toda perfumada, calçou somente a bota, deitou ao lado dele, esticando as pernas, pedindo para ele olhar a bota que ela havia comprado, ele se virou e, sem entender direito o convite, entrou no clima e, foi com bota mesmo que a noite prazerosa aconteceu, como se fosse num texto de Carla Madeira:
“...todo esse encontro existencial se deu entre a cama e o banheiro.”
Nenhuma gargalhada foi contida, naquele ônibus que explodiu de contentamento ao escutar a forma como ela estreou a bota...
No dia seguinte, escutou: Amor, não precisa comprar mais bota!
“Não há mentiras nas quais minha alma não se deleite para me dar de você tudo aquilo que quero. – Flávia Cristina Guimarães
Lá fora a chuva caia torrencialmente e a enxurrada, refletindo as luzes dos faróis, lavava o asfalto, enquanto dentro do ônibus, as gargalhadas eram a única forma de dizer o quanto aquela estória era tão peculiar e hilária!
E, novamente, Carla Madeira se manifestou aqui!
“...cada uma(um), a seu modo ao longo daqueles anos,
fez o que pôde para não deixar a dor ressentir tudo
e para guardar algum orvalho dentro de si.”
NAMASTÊ!




Imaginei direitinho a cena rsrsrsrsrs. Nada como um desejo realizado, de preferência em todos os sentidos.