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HELENA & MIGUEL

  • Foto do escritor: TEREZINHA ARAÚJO
    TEREZINHA ARAÚJO
  • há 22 horas
  • 3 min de leitura

Era uma vez duas almas que caminhavam pelo mundo como quem procura algo que sabe que existe, mas não sabe como encontrar.


Helena seguia sua vida, trabalhava feliz, sorria, tinha muitos amigos, não sentia solidão cumpria suas tarefas, mas, não raro no silêncio da noite, percebia que algo poderia ser acrescentado, ainda existia uma parte dela que não tinha sido tocada, algo nela que ainda estava para ser descoberto, desvendado como uma página de um livro ainda não escrita. Miguel trabalhador contumaz, pai amoroso, cheio de afeto e generosidade com todos ao seu redor, carregava dentro de si uma certeza estranha, uma impressão de que havia alguém que lhe compreenderia sem exigir explicações e precisava encontrar.


Eles não se conheciam. Viviam em bairros diferentes, rotinas distintas, histórias marcadas por perdas e aprendizados. Procuravam alguém especial sem saber exatamente o que era. Mas algo os atravessava: a mesma frequência.


Numa noite qualquer, o destino ou talvez a mão delicada do Arquiteto da Vida os conectou. Um encontro virtual, daqueles que você olha e pensa, quem sabe...sem nenhuma fé. Mas neste caso, uma frase, que Helena entendeu como um convite para se aproximar, a conexão se fez. Não houve fogos, nem música alta. O assunto começou com uma fala trivial, evoluiu para uma piada inesperada, e quando perceberam estavam falando de coisas que normalmente ficam guardadas: medos de fracassar, cansaços acumulados, pequenas culpas que ninguém aplaude.


É como se algo que estava encoberto tivesse permissão para ser descortinado, e as palavras fluíam com tanta eloquência que as vezes até se atropelavam... talvez na ânsia de trazer para fora o que ficou tanto tempo por dizer...uma urgência de se apresentar, de se mostrar...as palavras de um brigavam com as do outro pela prevalência.


Helena não precisava editar suas frases. Miguel notou que não estava performando inteligência nem tentando parecer interessante. Havia ali uma sintonia discreta, como dois relógios marcando o mesmo tempo sem terem sido ajustados juntos.


E, então, algo se ajustou.


Foi como quando duas notas musicais se encontram e produzem harmonia. Helena sentiu que podia respirar mais fundo. Miguel percebeu que não precisava impressionar bastava ser. Conversaram como velhos conhecidos, contavam suas histórias e com a leveza que nada do passado poderia interferir no presente; riam de pequenas coisas e silenciavam sem desconforto.


Não era paixão arrebatadora. Era reconhecimento, era paz, era confiança, nada precisava ser provado.


Com o tempo, descobriram que sintonia não significa ausência de diferenças. Elas existiam e eram muitas, ritmos distintos, gostos que não combinavam perfeitamente, mas havia um ponto de encontro: ambos estavam cansados de jogos e prontos para a verdade.


As diferenças não os afastavam, mas se completavam e uma canção surgia, que na voz de Miguel, para Helena, era uma sinfonia.


A verdadeira sintonia não está em pensar igual, mas em vibrar no mesmo sentido.


Houve dias difíceis, como em toda história real. Inseguranças, medos antigos, feridas que pediam cuidado. Mas sempre que o ruído ameaçava afastá-los, lembravam do primeiro olhar, da frequência que os unira. Ajustavam o diálogo, afinavam as palavras, como quem regula um instrumento precioso.


E assim aprenderam que encontro de almas não é milagre repentino. É reconhecimento, escolha e construção.


Algumas almas se buscam. Outras se encontram. E as mais raras… se reconhecem.


E foi assim que se reconheceram.


Não como metades que se completam. Mas como inteiros que se encontram.


O que os uniu não foi destino. Foi algo mais raro: disponibilidade. A coragem de ficar quando o encanto inicial cede espaço à realidade.


Talvez o encontro de almas não seja algo sobrenatural. Talvez seja simplesmente quando duas pessoas decidem estar presentes, sem máscaras, sem exageros, sem fingir ou fugir.


E, no mundo da performance, isso já é quase milagre.


Até Breve!







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2 comentários

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Irene
há 10 horas
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

"A verdadeira sintonia não está em pensar igual..."

Adorei a história!

Helena e Miguel - abençoado encontro!

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Jefferson Lima
Jefferson Lima
há 16 horas
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

"A verdadeira sintonia não está em pensar igual, mas em vibrar no mesmo sentido."

Terezinha, acompanhar esse enredo em toda a sua profundidade, nesses tempos rasos de "encontros instagramáveis", é um bálsamo. Seu texto traz a esperança que os encontros humanos ainda podem ser simples e reais.

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