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AMOR É AMOR
Um olhar sobre a lesbianidade e o impacto da heterossexualidade compulsória e da homofobia internalizada na constituição do sentir. Tenho dedicado especial atenção nas minhas últimas contribuições nesta coluna à temática de relacionamentos, sobretudo aos românticos. Passei pelas linguagens do amor, trazendo à tona as múltiplas maneiras de demonstração de afeto que se delineiam nas interações humanas; falei um pouco sobre os tipos de apego adquiridos na primeira infância e de


TÃO PERTO. TÃO LONGE.
Eu fui para San Diego com um propósito muito claro: estudar inglês. Fazer um programa de imersão em uma faculdade americana que recebe estrangeiros que querem aprimorar o inglês. Aos 67 anos, decidi voltar para a sala de aula, enfrentar minhas barreiras com a língua e me permitir viver uma experiência que exigia investimento, disposição e, principalmente, coragem para sair da minha zona de conforto. Não fui fazer turismo. Fui estudar. Fui aprender. Fui me desafiar. Enfrentar


DEPOIS DO ALMOÇO
Ela pousa o copo na mesa, o som se espalhou por toda a sala, deu um longo suspiro de satisfação. Comera toda a refeição, era uma vitória. - Parabéns! Não deixou nem um grão. O moço na outra ponta da mesa sorria, mas ela não compreendia o motivo de tal alegria. - Você merece uma sobremesa. – Ele disse enquanto recolhia os pratos. - Não quero comer mais nada. – Ela disse com voz firme. - Mas tem aquela rapadura que a senhora ama. - Detesto rapadura. O moço levava os pratos


SOBRE-VIVÊNCIA
Vejo pessoas… por aí. Vejo olhares, dores… e o sangrar. Vejo vazios. Vejo além do que a maioria pode. Vejo tudo o que quero ver E o que não quero. Ao olhar. Mesmo quando nem quero olhar. Vejo necessidades. Vejo sensações. Vejo expressões E nelas, vejo falsidades. Mesmo na ausência de animosidade, vejo raiva. Vejo tristeza e alegria na mesma intensidade. Vejo inconsistências. Incapacidades, fraquezas, desconexões. Enxergo desencontros… desalinhos. Também vejo sinceridades. V


É O CHEIRO!
“Sei que a vida vale a pena... mesmo que o pão seja caro e a liberdade, pequena...” (Ferreira Gullar) Dia desses, li a crônica Velhos Cocheiros, escrita por João do Rio, em 1908. O narrador-personagem fala sobre uma conversa que teria travado com um velho cocheiro, que fazia ponto no antigo Largo do Paço, no Rio de Janeiro, e que já estava havia vinte anos na profissão. O Braga — esse era o nome do cocheiro — falava com saudosismo dos tempos da Monarquia, das pessoas importan


O BANQUETE DOS ELEITOS
Este texto procura construir uma análise filosófico-religiosa sobre aqueles que nasceram e cresceram como todo mundo, mas, de repente, quando os que lhes eram próximos esperavam acontecimentos comuns, idênticos aos da maioria, surpreendentemente, abandonaram tais expectativas e se colocaram diante das injustiças humanas presentes no universo. Desprezaram o individualismo, abraçaram a alteridade e partiram em missão para fazer o bem, com o objetivo de edificar um mundo melhor,
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