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DEPOIS DO ALMOÇO
Ela pousa o copo na mesa, o som se espalhou por toda a sala, deu um longo suspiro de satisfação. Comera toda a refeição, era uma vitória. - Parabéns! Não deixou nem um grão. O moço na outra ponta da mesa sorria, mas ela não compreendia o motivo de tal alegria. - Você merece uma sobremesa. – Ele disse enquanto recolhia os pratos. - Não quero comer mais nada. – Ela disse com voz firme. - Mas tem aquela rapadura que a senhora ama. - Detesto rapadura. O moço levava os pratos

ANA BEATRIZ


SOBRE-VIVÊNCIA
Vejo pessoas… por aí. Vejo olhares, dores… e o sangrar. Vejo vazios. Vejo além do que a maioria pode. Vejo tudo o que quero ver E o que não quero. Ao olhar. Mesmo quando nem quero olhar. Vejo necessidades. Vejo sensações. Vejo expressões E nelas, vejo falsidades. Mesmo na ausência de animosidade, vejo raiva. Vejo tristeza e alegria na mesma intensidade. Vejo inconsistências. Incapacidades, fraquezas, desconexões. Enxergo desencontros… desalinhos. Também vejo sinceridades. V

RUBIA ARCE Admin Blog


É O CHEIRO!
“Sei que a vida vale a pena... mesmo que o pão seja caro e a liberdade, pequena...” (Ferreira Gullar) Dia desses, li a crônica Velhos Cocheiros, escrita por João do Rio, em 1908. O narrador-personagem fala sobre uma conversa que teria travado com um velho cocheiro, que fazia ponto no antigo Largo do Paço, no Rio de Janeiro, e que já estava havia vinte anos na profissão. O Braga — esse era o nome do cocheiro — falava com saudosismo dos tempos da Monarquia, das pessoas importan

JEFFERSON LIMA


O BANQUETE DOS ELEITOS
Este texto procura construir uma análise filosófico-religiosa sobre aqueles que nasceram e cresceram como todo mundo, mas, de repente, quando os que lhes eram próximos esperavam acontecimentos comuns, idênticos aos da maioria, surpreendentemente, abandonaram tais expectativas e se colocaram diante das injustiças humanas presentes no universo. Desprezaram o individualismo, abraçaram a alteridade e partiram em missão para fazer o bem, com o objetivo de edificar um mundo melhor,

JOSÉ FRANÇA


UMA MANHÃ INEXORÁVEL
A manhã de um dia longo. Com esta frase eu começo esta crônica e aproveito para fazer referência ao grande músico Ringo Starr, da Banda Beatles que, em 1964, pronunciou, depois de um dia inteiro de gravações, a frase: “A hard day’s night”, “Noite de um dia duro”, que se tornou o título do famoso Long play. Lembro-me que um dia entre tantos dias em que eu saí de casa cedo para trabalhar, presenciei um fato que marcou profundamente as minhas retinas cansadas, tomando de emprést

JOSÉ FRANÇA


Sobre provas, casulos e a Páscoa
Hoje não trago uma fofoca literária. E explico por quê. Dentre as notícias que me impactaram nesse mês de março e foram muitas — guerras, chuvas pesadas, enchentes, etc. — a que mais mexeu comigo foi a do rapaz que teve a redação da Fuvest desclassificada e que virou meme na internet. Por que isso mexeu comigo? Talvez por ter acompanhado filhas e sobrinhos que passaram pelo tormento — mas necessário — do Enem, ou quem sabe porque fui professora por 32 anos e corretora do En

ILMA PEREIRA
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