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A MAIS BELA SUBJETIVIDADE

  • Foto do escritor: RUBIA ARCE Admin Blog
    RUBIA ARCE Admin Blog
  • há 2 dias
  • 3 min de leitura

Faz-se necessário, antes, trazer a definição para esta palavra tão linda e de tão caro significado. 


A Subjetividade pode ser definida como o conjunto de pensamentos, emoções, experiências e valores que compõem o mundo interno de um indivíduo. Ela representa a maneira particular, única e pessoal como cada pessoa percebe, interpreta e atribui sentido à realidade ao seu redor.


Gosto de visualizar a existência de cada um, tecida em retalhos como uma imensa e maravilhosa colcha. Sob meu olhar pessoal, os retalhos seriam os momentos que experienciamos, cada um de uma cor, estampa e tamanho diferentes. A costura seria a liga da existência, o que conecta um momento ao outro, tecendo uma continuidade para o existir. Mas, o mais bonito mesmo, é que podemos posicionar os retalhos ao costurar. Os que tornamos mais relevantes, encontram destaque em meio aos inúmeros pontos e os colocamos em alto relevo, demonstrando que ali houve algo que consideramos importante para o desenho da nossa existência em nós.  



Para cada um há um formato de construção. Alguns, saem alinhavando sem seguir uma ordem definida, ligam um retalho a outro com linhas frágeis, não pensam na cor, no tipo de tecido, ou no tamanho, e transformam aquela costura em um absoluto e maravilhoso caos. A cada chacoalhar, tudo pode se soltar, mas também pode ser reposicionado de forma diferente. Outros, não mais que intuitivamente, tecem uma belíssima existência, encontrando lugares adequados para seus retalhos, formando imagens bonitas. Mas, há aqueles que tecem sua existência com fios de ouro, remodelam os retalhos e os ressignificam, tornando os encaixes mais agradáveis, formando imagens que representam beleza, como flores e corações. 



A existência é construída e precisa ser validada a cada tempo. É preciso encontrar sentido e beleza no que se tece bem diante dos nossos olhos. Existir requer criatividade, que sejamos flexíveis e tenhamos  destreza, mas principalmente, adaptabilidade. Estar aberto a compreender o que a vida nos pede em cada momento, torna o nosso costurar mais firme e o desenho da nossa história mais consistente. 


Seguimos a costurar nossos feitos, nossas dores, nossos passos, nossas evoluções, no empenho de construir a colcha mais bonita dentro das possibilidades que nos são apresentadas. No entanto, em algum momento, outro alinhavo pode adentrar a nossa costura, outra linha, outra forma de costurar… e novos tecidos vão sendo acrescentados, novas cores e texturas. Quando nos damos conta, tecemos uma vida inteira juntos. 


Esse alinhavar em dupla, logo se transforma em conjunto, e será preciso realizar vários ajustes… algumas vezes, apertar mais o ponto, outras vezes, afrouxar. Tecidos mais grossos surgem. Em outros tempos, uns mais frágeis se apresentam. O essencial é saber distinguir qual força aplicar ao costurar cada tecido. 


Contudo, às vezes, vai rasgar, vai descosturar, e vamos aplicar tanta força que vai esgarçar. Pode até sangrar. Ter a compreensão de que nem sempre a costura será perfeita é o detalhe principal. Porque é a partir daí que compreendemos ser importante desfazer uma costura original, que já não faz mais sentido, e refazer de outra forma, assim, construindo uma nova história. 


Fato é, que quem escolhemos para alinhavar a vida e tecer a nossa colcha, vai influenciar o formato do desenho que estará exposto ao longo do caminho. A beleza da costura, a direção de cada ponto, a escolha dos retalhos mais relevantes, as cores que estarão em evidência, e a sensação que teremos ao tatear a colcha quando ela estiver quase pronta. 


Nos enlaces e desenlaces, no descosturar e recosturar, no pensar e repensar a força aplicada a cada ponto, e costurar juntos os tecidos mais frágeis, assim como os mais grossos, no testemunhar a costura individual e respeitar o alinhavar de cada um, é que reside o processo mais bonito de construção de uma colcha que representará proteção, aconchego e afeto. No esforço mútuo de conduzir o outro a retornar ao centro, ao encontro do equilíbrio necessário. Claro, sempre, considerando a beleza da imperfeição que nos lembra quanto humanos somos. E, nesse caminho, contribuir ativamente para a elaboração da mais bela subjetividade de cada indivíduo envolvido no processo.


Não que seja um fator condicionante ter alguém para partilhar as costuras. Mas, com elas, tenho a impressão de que a colcha fica muito mais quentinha.  



Que o seu amor tenha como ponto alto o empenho contínuo e genuíno de ser um motivo pelo qual a subjetividade do ser amado seja a experiência mais bonita que você possa testemunhar… e que seja recíproco.  E, quando olharem para a imensa colcha tecida dos seus momentos, sejam os mais bonitos que estejam no mais alto relevo, bordados com fios de ouro, sobrepondo o que foi difícil viver, para que, ao final, a certeza de ambos seja de que tudo tenha valido a pena. 


No mês do amor, uma feliz e bem sucedida costura a todos os amantes da vida!


Obrigada por ler até aqui.

Com amor. 

Até breve!







2 comentários

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Jefferson Lima
Jefferson Lima
há 2 dias
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Que bonito, Rúbia! Há uma canção que diz que "o mais importante do bordado, é o avesso". A beleza da mais linda colcha de retalhos está sustentada pelos pontos invisíveis, alinhavados com cuidado. Da mesma forma são as relações humanas; por detrás de uma história de amor há fios fortes ligando os pontos das vidas envolvidas e sustentando cada sorriso cúmplice e feliz!

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RUBIA ARCE Admin Blog
RUBIA ARCE Admin Blog
há 2 dias
Respondendo a

É isso, Jefferson! Por trás de toda história há uma costura deliberadamente constrída.

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