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AMOR SEGUNDO DARWIN

  • Foto do escritor: ANA BEATRIZ
    ANA BEATRIZ
  • há 3 dias
  • 2 min de leitura

Era apenas uma garotinha, de cadarço desamarrado, mãos que tremiam sem razão e tossindo numa ânsia absurda. Uma garota num mar de insignificância que é a vida juvenil, como se as coisas estivessem esperando o momento exato de desabrocharem. Tudo era espera, afinal.


O jeito como as palavras se enroscavam no momento da fala, gaguejando e trocando sílabas. Aprendera a falar, mas não a dizer.    


Olhava as pessoas com uma curiosidade ímpar. Colocava-as em seu caleidoscópio, buscando detalhes a muito tempo perdidos. Montava um catálogo interno e preciso, que sempre viria antes do “olá”. Talvez, assim, tudo ficasse mais fácil.


 Até que veio um perigo: ao invés de catalogar um certo alguém, ela o adentrou. Tudo parecia novo, é o que acontece ao encontrar terras desconhecidas, então, sem perceber, ela buscava sua fonte, encontrar o núcleo de uma espécie nova, até o ponto que ela (com a cabeça girando) olharia para lugar nenhum e entenderia: “eu te amo”.


Mas era tudo tão estranho! Dei-me um cigarro, me dá um cigarro. Era mais fácil se tudo fosse questão de gramática: eu te amo, eu amo-te, eu amo a ti...buscas sem rumo numa orquestra harmoniosa. Era melhor do que mergulhar mais na fonte do saber novo.


Numa manhã de dezembro, quando o ar fervia pela ansiedade de todos, ela o encontrou como sempre, lendo numa calma tentadora, enquanto ela apenas existia ao seu lado. Não falaram nada, mas disseram tudo, e sabiam no fundo que isso bastava.


Até que, antes de partirem em direção ao mundo, ele olhou para trás e sorriu, um breve instante que resumiu toda história do universo. Ela colheu esse instante e não precisou mais entender: eles desabrochavam, então.








 


 


1 comentário

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há 3 dias
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Sim, as espécies desabrocham ao longo do tempo.

Um desabrochar físico, psicólogo que irá se revelar, naturalmente, como diz o final do seu texto: “…não precisou mais entender: eles desabrochavam, então.”

Namastê!


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