QUANDO A PORTA SE FECHA
- RUBIA ARCE Admin Blog

- há 1 dia
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Nos últimos dias, vi a porta se fechar atrás de mim algumas vezes. Mais vezes do que pude prever. A porta da sala de reuniões, agora utilizada como ponto de encontro para conversas particulares e partilhas, quase nunca, profissionais. Antes de tudo, são pessoas, e devem ser reconhecidas como tal.
Não longas o suficiente, mas importantes conversas que versam na mais alta humanidade. Rabiscos que vão se traduzindo em abertura de almas, moldando na minha frente aquele ser que se abre ao falar comigo.
Há maior presente na vida do que ser alguém em quem se possa confiar? Com quem as pessoas se sentem confortáveis para ser o que são, expressar o que sentem, sem medo de represálias ou de não serem acolhidas? Para mim, não há.
O cargo de gestão, hoje, me convida a experiências únicas e valiosas. Conexões surpreendentes, um misto de “seja profissional” com “seja humana”.
Cada vez que a porta se fecha e eu respiro fundo, sei que precisarei, além de acolher e compreender, apresentar uma solução, que nem sempre está em minhas mãos. Enquanto ouço as palavras olhando nos olhos de quem as profere, dou início a um processo interno em que não há possibilidade de recuar. E brindo internamente ao som do tilintar que me sinaliza que é hora de pensar. Descubro todos os dias que gosto muito disso.
Quanto mais o tempo passa, a mim se confirma que saber olhar pessoas como pessoas se torna mais raro. Hoje, é fácil olhar e ver algoritmos, influência, números, possibilidades, posicionamentos, enxergar invólucros com rótulos pré-estabelecidos. Nunca, pessoas. Nunca a parte humana nos seres humanos foi tão abandonada.
No entanto, há quem escolha olhar. Desafiando a própria sorte, porque não há espaço para superficialidades quando se escolhe mergulhar na existência de alguém. Quando o existir do outro é colocado em perspectiva, a forma de olhar muda, a vida encontra um sentido mais profundo e duradouro, e a percepção de si mesmo se torna consciente.
O tempo todo me pergunto o que estou fazendo aqui, porque estou agindo como tenho agido, porque faço o faço e como faço. Trata-se de uma característica inerente à minha própria existência - sempre questionar tudo, principalmente, a mim mesma. E isso me possibilita ver além do superficial, na maioria das vezes. E quando me recuso a ver ou lidar, é porque já me embrenhei nesse emaranhado de ser e não me foi saudável. Sim, aprendi a escolher as batalhas que não me roubam a sanidade, que não desafiam a minha liberdade e não se tornam peso para mim.
Escolhas que me cobram um preço que estou disposta a pagar.
Somos levados a crer que as opiniões negativas que os outros têm sobre nós dizem respeito a nós, e não a quem elas pertencem, e que são as únicas verdadeiras. Somos capazes de deixar passar uma imensidão de feedbacks positivos a nosso respeito, em nome de uma regra em algum momento estabelecida, de que o mais importante é a opinião de quem reage mal ao que somos ou fazemos. Mas, a verdade é que o que deveria importar é o que sabemos sobre nós mesmos. É o que construímos sobre nós, em nós, lá de dentro, e que molda nossos atos que ninguém vê.
E quando a porta se fechar, o que importa é saber que não sairemos os mesmos de lá, que esforços nos levarão a algum lugar melhor, ainda que não seja o ideal, mas, nada mais continuará igual.
Gratidão por ler até aqui.
Que a vida seja gentil com você.
Até breve!



Neste mundo em que estamos sempre dentro do olhar do outro, muitas vezes fica difícil escolher onde posicionar nosso olhar e sustentar.
Mais difícil ainda, escolher ver a porta fechar, porque, muitas vezes, fechar a porta não foi escolha nossa, foi a escolha de um sistema que definiu valores sobre o que é ser uma pessoa, um sistema que pesa sobre as decisões de quem questiona sobre valores humanos.
Namastê!
A gestão nos coloca na posição entre os interesses da organização, o ser humano que somos e o outro diante de nós. Autoconhecimento, bom senso, respeito e empatia devem atuar juntos neste desafio. Quando considerados, estes elementos fazem toda a diferença na vida do outro e, sem sombra de dúvidas, no nosso próprio modo de viver e enxergar a existência. Belo texto, Rúbia!