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O BALIZADO

  • Foto do escritor: BETH BRETAS
    BETH BRETAS
  • há 2 dias
  • 2 min de leitura

Um homem balconista me foi apresentado num jantar de encontro com amigos, aqueles em que a gastronomia é deliciosa, o riso é solto e as narrativas se aconchegam numa gostosa sintonia.

 

Ele me foi apresentado ao escutar uma conversa sobre um episódio que envolvia ele, uma garota e o seu namorado e,na versão de quem contava, a garota, frente à situação, se manifestou sem alarde, respondendo para o namorado: COMO ASSIM?!  Você perdeu a noção?! 


E, em meio àquela conversa animada, aquele encontro gostoso, eu comecei a pensar naquele homem desconhecido, no quanto ele estava em evidência, sem saber estar. No quanto ele estava longe de perceber que poderia ser tão marcante, tão temido em lugares, onde a sua presença em público,  normalmente, é imperceptível.


Fiquei pensando no quanto esse homem poderia ser bem charmoso, afinal havia provocado insegurança em outro homem e abalado, por instantes que fosse, uma relação.


Fiquei pensando, na verdade, o quanto oferecemos uns  para os outros, sem saber que o fazemos, momentos para avaliar atitudes em que desconsideramos uma pessoa para acalmar outra. 


Fiquei pensando no quanto o balizado, naquele momento, nada tinha a ver com a manifestação de falta de confiança. O quanto ele havia voltado tranquilo para casa, sem noção do que havia estimulado, sem noção do tamanho da projeção que alguém havia  lançando sobre ele.


“Somos a sombra que cuida do jardim. Não somos o reflexo nem a explicação. Somos a raiz.”

(Canção cubana: Somos Lo Que Queda)


Fiquei pensando no quanto o outro nos oferece oportunidade de reavaliar nossos conceitos, nossas verdades, nossas incoerências, por meio de atitudes que não são do outro, mas que recaem sobre ele tão alheio a tudo que se passa, enquanto segue seu próprio caminho.


Fiquei pensando no quanto somos frágeis e fortes ao mesmo tempo,  o quanto podemos receber diversificadas avaliações, dentro de um mesmo contexto, e o quanto desconhecemos o poder que adquirimos dentro do  olhar do outro.


E então encerrei minha noite de encontro com o desconhecido balizado, percebendo algo novo: há quem possa invisivelmente se tornar visível, por meio até da própria ausência, sem saber que se tornou galã e muito menos que se tornou o protagonista.


Eu sei que tem pessoas que dizem que essas coisas não acontecem...Mas agora nós estamos vivos. E nesse momento, eu juro. Nós somos infinitos.”

As Vantagens de Ser Invisível


NAMASTÊ!











5 comentários

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há 6 horas
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QUE LINDOO!!

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Convidado:
há 6 horas
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MUITO BOM!!

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Convidado:
há 6 horas
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Esse texto é do tipo que nos deixa com vontade de saber mais!! Fiquei louca pra ver a aparência desse homem. Mas o texto só induz a leitora aqui, a ficar curiosa e aguçar a vontade de imaginá-lo (do meu tipo)! Imaginá-lo, principalmente, porque ele ficou em evidência, sem saber. Fantástico!!!

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Jefferson Lima
Jefferson Lima
há 2 dias
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

No decorrer dos dias não fazemos ideia de quantos são impactados e, menos ainda, de como impactamos. Tomara nossos rastros somados, sejam em sua maioria positivos. De outro ponto de vista, não são poucos os que positivamente me atingiram sem terem qualquer ciência disso. Talvez sejam estes os pontos invisíveis da tecitura da existência... Beijão!

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José Rodrigues de França
há 2 dias
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Olá, Beth. Li seu texto e estava aqui pensando: como é complexa a vida!? Não temos o poder de saber o que causamos nas outras pessoas... "O poder dentro do olhar do outro". Amei esta citação " tornar- se visível pela ausência" . Às vezes acontece de estarmos juntos das pessoas e não ser notado por elas, quando afastamos, elas passam nos ver na ausência. É quase paradoxal esta situação. Lindo texto. Só para lembrar: amo o livro: As vantagens de ser invisível, o filme nem tanto.


Parabéns! Um abraço.

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