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O BALIZADO

  • Foto do escritor: BETH BRETAS
    BETH BRETAS
  • 2 de jul.
  • 2 min de leitura

Um homem balconista me foi apresentado num jantar de encontro com amigos, aqueles em que a gastronomia é deliciosa, o riso é solto e as narrativas se aconchegam numa gostosa sintonia.

 

Ele me foi apresentado ao escutar uma conversa sobre um episódio que envolvia ele, uma garota e o seu namorado e,na versão de quem contava, a garota, frente à situação, se manifestou sem alarde, respondendo para o namorado: COMO ASSIM?!  Você perdeu a noção?! 


E, em meio àquela conversa animada, aquele encontro gostoso, eu comecei a pensar naquele homem desconhecido, no quanto ele estava em evidência, sem saber estar. No quanto ele estava longe de perceber que poderia ser tão marcante, tão temido em lugares, onde a sua presença em público,  normalmente, é imperceptível.


Fiquei pensando no quanto esse homem poderia ser bem charmoso, afinal havia provocado insegurança em outro homem e abalado, por instantes que fosse, uma relação.


Fiquei pensando, na verdade, o quanto oferecemos uns  para os outros, sem saber que o fazemos, momentos para avaliar atitudes em que desconsideramos uma pessoa para acalmar outra. 


Fiquei pensando no quanto o balizado, naquele momento, nada tinha a ver com a manifestação de falta de confiança. O quanto ele havia voltado tranquilo para casa, sem noção do que havia estimulado, sem noção do tamanho da projeção que alguém havia  lançando sobre ele.


“Somos a sombra que cuida do jardim. Não somos o reflexo nem a explicação. Somos a raiz.”

(Canção cubana: Somos Lo Que Queda)


Fiquei pensando no quanto o outro nos oferece oportunidade de reavaliar nossos conceitos, nossas verdades, nossas incoerências, por meio de atitudes que não são do outro, mas que recaem sobre ele tão alheio a tudo que se passa, enquanto segue seu próprio caminho.


Fiquei pensando no quanto somos frágeis e fortes ao mesmo tempo,  o quanto podemos receber diversificadas avaliações, dentro de um mesmo contexto, e o quanto desconhecemos o poder que adquirimos dentro do  olhar do outro.


E então encerrei minha noite de encontro com o desconhecido balizado, percebendo algo novo: há quem possa invisivelmente se tornar visível, por meio até da própria ausência, sem saber que se tornou galã e muito menos que se tornou o protagonista.


Eu sei que tem pessoas que dizem que essas coisas não acontecem...Mas agora nós estamos vivos. E nesse momento, eu juro. Nós somos infinitos.”

As Vantagens de Ser Invisível


NAMASTÊ!











9 comentários

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Convidado:
04 de ago.
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Intrigante o texto, porque ele diz muitas coisas sem querer propriamente escrever nada.

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Ana Beatriz França
19 de jul.
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Seu texto é incrível em delicadeza e reflexão, e a citação de "As vantagens de Ser Invisível" me encantou demais!

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Convidado:
17 de jul.
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Ei Beth!!! Saudades!!!

Entao viver também é isto, né mesmo,? Estar visível sem por vezes nem imaginarmos. Todo cuidado é pouco, pois podemos estar ótimos na fita ou péssimos, e nem notarmos. Se nao nos encomoda, problema algum. Só é chato quando queremos ser notadas e ter olhos cúmplices e estes vagam.😁

😘🌷

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Maria Anésia
10 de jul.
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Oi Beth, até já lhe falei que gostei muito do seu texto. E o mais engraçado é que uma pequena parte vale pelo todo. Fiquei focada nessa: " O quanto oferecemos uns para os outros, sem saber que o fazemos." Esta frase é muito real. Penso, estamos na nossa, enquanto outras pessoas nos olham, nos admiram e nos engrandecem. E como você disse no texto, a gente volta pra casa tranquilo sem saber da revolução que causou e da pessoa importante que somos. Da lembrança que veio à tona e se ela realizasse de novo. Seria bem mais calorosa. Aconteceu comigo.

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Convidado:
04 de jul.
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

QUE LINDOO!!

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