O MAPA OU O TERRENO?
- BETH BRETAS

- 2 de fev.
- 2 min de leitura
Estou novamente aniversariando, num AGORA - entre tantas viagens pelo mundo e pelo meu interior - valorizando os pequenos gestos como algo libertador, dentro de uma entrega que se limita a curtir as descobertas, sem questionar o valor, porque já passou a fase em que ser um grande homem significava lutar por grandes causas e as possibilidades eram vistas como erros:
Aguarde outra oportunidade... Espere se recuperar... Procure esquecer...

Santiago/Espanha/ 2022
Os entendimentos estavam atrelados a uma falha e não a uma oportunidade, e eu não havia percebido isso, porque subestimamos a nossa própria capacidade de ver, ouvir, sentir, pensar, refletir, avaliar…
Ao nascermos alguém nos deu o mapa da fortuna, prometendo que tudo
ficaria bem, se seguíssemos as orientações - até o dia em que, ao adquirirmos a própria capacidade de criar mapas, renovamos nossos conceitos e nos libertamos dos mapas alheios.
“...Quando você finalmente tira seu disfarce de prisioneiro.”
Porque eles, os mapas, sempre foram o significado de busca por terras, ouros, especiarias, poder – uma ambição cega que nos subestima e nos domina em troca de uma promessa, uma informação, uma filosofia ou um dogma…
Sempre foram criados com a intensão de orientar o homem na direção correta - correta para quem criou o mapa - mãos preocupadas em controlar o terreno.
Contam que os soldados, na II Guerra Mundial, recebiam um mapa com a seguinte orientação severa:
“Caso não coincidam o terreno com o mapa, opte pelo terreno.”
O terreno é onde se pisa – é o nosso chão. Nele há a nossa verdade simbólica e, nela, na nossa verdade, existe a doação máxima do nosso ser que pode ser, simplesmente, valorizar pequenos atos ofertados por pessoas consideradas comuns que não lutam por nada, não fazem muito pela humanidade e que se contentam em oferecer uma rosa ou uma palavra de ânimo ou um bolo feito por ela, dentro do contexto em que ser considerado o melhor ou o pior, não define ninguém.
A vida é uma conexão entre seres minerais, vegetais, cósmicos, humanos, tudo dentro de um território, onde encontramos “...o frágil, o essencial, no fundo do jardim da casa que inventamos e que nos inventa.” - Lya Luft.
E antes de responder à pergunta: - O mapa ou o terreno? É preciso entender que o mapa é espaço de expressão da necessidade de mapear alguma coisa que pode ser um aparelho, um espaço geográfico, um comportamento...
O terreno é o nosso espaço de vivência.
No meu AGORA, desejo cada vez mais conhecer o terreno, onde elaborei o meu próprio mapa, gestei meus sonhos, ancorei minhas experiências e onde continuo comemorando minha existência, curtindo o desvendar ou não desvendar das coisas.
“Havia um quarto vazio, que nunca ninguém soube para que servia – e que talvez não servisse para nada, a não ser para fazer ressaltar o sentido do segredo e para dar a entender que nunca é possível desvendar todas as coisas.” - Saint-Exupéry
FELIZ ANO NOVO!
NAMASTÊ!
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Seu texto tem uma beleza poética muito especial, Beth. Gostei da forma como você trabalhou a metáfora do mapa e da estrada tanto no sentido físico quanto no simbólico.
O mapa é o sopro do desejo.
Viajar é respirar a vida.
No corpo da terra, o mapa guia os passos,
e o chão se abre em estrada infinita.
No íntimo da alma, o mapa é sonho,
é chama que arde em silêncio.
O chão, nesse universo, é o cérebro:
território onde nascem mundos,
onde se desenham caminhos invisíveis.
Viajar é existir duas vezes:
na realidade que se toca,
e na imaginação que nos leva além.
Parabéns, Beth, por este maravilhoso texto poético.
Lindoooooo! Gratidão! 🌎 °•.♡🚶♀️
Os mapas nos levam a terrenos que precisam ser explorados. Que maravilha quando isso se aplica a vida! Parabéns! 💋💋 Carla Kirilos
Que lindo!
Oi Beth! Que lindo , e ainda tem a bússola e as sandálias, não é mesmo?