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LIVRO
Esse objeto sempre esteve presente na minha vida. Sou filha de um homem amante de biblioteca, que separava um quarto cheio de variadas narrativas, um bem decorado, com uma mesa de oito cadeiras no centro e duas estantes que recebiam exemplares, todos os meses. E, por incrível que pareça, amando como amo fotografar, não tirei uma foto dessa biblioteca tão particular de um pai que me deixou como herança uma forte identificação com a literatura - quando entro em ambiente cercad


UTOPIAR
“A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar.” Eduardo Galeano O que almejamos para o mundo, para as convivências, para as existências, está sempre no campo ilógico da utopia. E tem sempre alguém para nos lembrar disso. Ao caminhar, esbarramos nas mais diversas realid


MEMÓRIA SINESTÉSICA: ECOS DA INFÂNCIA E NUVENS DA MATURIDADE
Quando eu era criança e visitava a casa da minha tia Lila, me sentia em um paraíso. Ela tinha muitos LPs que giravam numa linda e compacta vitrola amarela e que preenchiam o ambiente com muita música gostosa. Muitas delas, inclusive, fazem parte da minha memória acústica que traz consigo um combo de sensações sinestésicas daquela época. Sempre gostei muito de música, gostava de ficar quietinha apreciando as interpretações dos artistas, sentindo as emoções que as letras e mel


REDENÇÃO
Para onde a humanidade caminha, fico a indagar . Na espera de sanidade e humanidade sigo a acreditar e auxiliar. Sim, não é possível banalizar a crueldade, o desrespeito a falta de compaixão e humanidade. Absurdos cometidos não são justificáveis. Saúde mental é necessidade! Saúde mental, ética, tratamento, direcionamento, valores . Vida real! Sim! De vida real estamos necessitados.. Vida real, alegrias, dores, vergonhas, frustrações, esforço, empenho, respeito… Daqui, por ora


DOMINGO DE MAIO
“Eu sou uma constelação de eteceteras” Maria Paula reclinou-se da cadeira, jogou a cabeça para traz e suspirou. Palavra é coisa muito falha. Sentia coisas muito abstratas, dissolvíveis. Uma palavra. Ela queria uma palavra que preenchesse o espaço entre o abstrato e o dizer. Foi para a varanda e acendeu um cigarro. O marido não iria gostar, mas era maio, e em maio tudo é sonho. E domingo é sol que não nasceu. Estava usando licença poética de novo? Estava, mas para quem escrev


HELENA & MIGUEL
Era uma vez duas almas que caminhavam pelo mundo como quem procura algo que sabe que existe, mas não sabe como encontrar. Helena seguia sua vida, trabalhava feliz, sorria, tinha muitos amigos, não sentia solidão cumpria suas tarefas, mas, não raro no silêncio da noite, percebia que algo poderia ser acrescentado, ainda existia uma parte dela que não tinha sido tocada, algo nela que ainda estava para ser descoberto, desvendado como uma página de um livro ainda não escrita. Migu


O MILAGRE DA GENTILEZA
“Apesar de você, amanhã há de ser outro dia,você vai ter que ver a manhã renascer e esbanjar poesia. Como vai se explicar, vendo o céu clarear de repente, impunemente? Como vai abafar nosso coro a cantar na sua frente?” (Apesar de Você – Chico Buarque de Holanda) Nos últimos meses me dediquei à leitura do livro Os Miseráveis, um clássico do romantismo francês, escrito pela pena humanista de Victor Hugo (1802-1885) e publicado em 1862. Na extensa obra, repleta de contextos h


UM MINUTO DE AMOR
Já era tarde da noite. Eu precisava fazer uma ligação de urgência. Peguei o celular, liguei. Demorou, mas ele atendeu e disse: - Eu te amo. - Ué, é você de que fui informada, estava quase sem memória? Confesso, por um triz, teria feito essa interrogação pra ele. Não, não, apenas lhe ofereci ajuda. Se precisava, não sei. Tinha minhas dúvidas. O cara estava perfeito, sorrindo e me prometeu que ia dar tudo certo. Filho é assim. Esconde suas dores diante da velha mãe. Quer vê-la


CLARICE SENDO CLARICE
Fofocas…mas literárias e edificantes! Você sabia que a escritora Clarice Lispector atuou como voluntária na Itália na Segunda Guerra Mundial? Vem comigo que eu te conto tudo sobre essa diva da literatura da qual sou fã. Clarice Lispector era casada com o cônsul Maury Gurgel Valente, e ela o acompanhou para que assumisse seu posto de diplomata, ao sul da Itália, onde lutavam os pracinhas da FEB — Força Expedicionária Brasileira. Mas poucas informações chegavam ao Brasil devido
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