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SUA PRESSA, MEU DESASSOSSEGO?
Passos largos... Passos curtos... E uma infinidade de caminhantes a passear. Tropeça-se aqui e cai-se acolá. Estendem-se tapetes por onde nunca mais poderia querer passar. A alguns, interessa menos o destino, e mais os passos que serão dados, porque sabem que alguém, em algum momento, nas pegadas deixadas, pode querer pisar. Onde pisar, por onde passar, qual caminho escolher… Isso importa? Muito. Deveras importará a quem se importa. Caminhante observadora que sou e debruçada


A OUTRA MULHER
Ela era bonita? Bem, de qual das duas estamos falando? A primeira estava quase com quarenta anos. Quarenta anos. Que número assustador, ele vem chegando aos poucos, como a barriga que cresce e anuncia o bebê. Ela percebia a sua chegado naquele maldito fio de cabelo branco e, aquelas dores, parecia que tudo doía, os ombros, as costas, as vezes até os olhos. Os seios que até pouco tempo eram firmes agora caiam amolecidos. A imagem no espelho parecia ser a de uma traidora. Mas


SINTONIA DAS ÁGUAS
Estava aqui pensando… escutar exige treino. Exige silêncio. Respeito. Tempo de processamento e elaboração para somente assim se criar uma devolutiva. Relacionamento também precisa de escuta, de silêncio, de elaboração e processamento emocional. E relação, ou seja, (re)enlaçar indivíduos demanda a interação harmônica entre pessoas. Mas, e quando as pessoas estão fechadas em si mesmas e não estão conseguindo lidar com a interação e com os desafios do outro? Sinto que é aí que


APRENDENDO A TER ESPERANÇA
Vivemos um tempo marcado por tensões globais, guerras, crises humanitárias, profundas incertezas políticas, desastres naturais e violências de toda ordem. As notícias chegam todos os dias carregadas de imagens de destruição, disputas de poder e instabilidade, cenas de ódio e barbárie. Diante desse cenário, experimentamos sentimentos de angústia, medo e impotência. Surge então perguntas que atravessam tanto a vida individual quanto a coletiva : Como sustentar a esperança em t


O FEMINISMO DOS ÚLTIMOS SÉCULOS
Havia autoridade nos olhos da matriarca Olhava, franzia a testa e desse jeito falava. Anos depois, esses gestos sigilosos se tornavam Ecos para adolescente, jovem, moça inteira. Casava-se sob ordem superior, sem amor. Sem a mácula do pecado, seguia o marido Submissa de suas ações, suas razões. Todas elas, avó, mãe e filha. As mulheres de meus tempos Mães de todo feto que no útero caía. A pílula do dia seguinte não existia Nenhuma gestação, ela impedia. Uma década apenas, a pr


A ARTE DO BOM SENSO “LASTRO, LEGADO E UM POUCO DE CAROLINA”
“Vou apertar, mas não vou acender agora;se segura, malandro, pra fazer a cabeça tem hora” (Malandragem dá um Tempo – Bezerra da Silva) O excerto acima é de um samba que ficou famoso na voz de Bezerra da Silva e que me inspirou esta crônica, não antes de se amarrar aos acontecimentos cotidianos. Mas quero iniciar fazendo justiça, citando os nomes dos compositores, quase sempre esquecidos. São eles: Adelzonilton Barbosa, Popular P e Moacyr Bombeiro, que, num contexto provavel


E ELAS SE VESTIRAM DE HOMEM …E COLOCARAM SEUS NOMES NA HISTÓRIA.
Apesar de ser um tema universal, inicia-se esta crônica pela senda do localismo. No devir constante da existência, a história apresentou-se de forma cruel às mulheres, mas, navegando em mares opostos, elas feriram profundamente a narrativa com o punhal da sagacidade, da inteligência, da esperteza, da malícia, dos mistérios e do enigma e, por não dizer, da beleza. Como tão bem afirma o narrador Bentinho no drama universal machadiano Dom Casmurro , o olhar de Capitu é o olhar d


Codinome
SALVE 8 DE MARÇO! PARABÉNS, MULHER! Seja você Maria Quitéria Ou uma destemida Mariele Talvez uma sábia Carolina Ou uma forte Georgina Segure o baque Aguente o embate Pode ser simplesmente Uma doce Ana Maria Que traz no sorriso sua simpatia Ou talvez uma mulher indômita E quem sabe o seu nome Pode ser Antônia... Mas que importa o nome? Se você traz a marca de Eva Será criticada e vilipendiada Te jogarão nas trevas Porém resiliência é seu codinome Desfaça os laços Arranque os t


QUANDO O CINEMA VIRA ESPELHO
Março sempre me lembra duas coisas: o outono chegando devagar e a temporada do Academy Awards — o nosso querido Oscar, para quem, como eu, é fã de cinema. É o mês em que minha paixão antiga por livros e filmes ganha uma intensidade quase adolescente. Organizo agenda, faço listas, leio críticas, comparo roteiros com adaptações literárias, marco frases como quem sublinha a própria vida. Cinema, para mim, nunca foi apenas entretenimento; é lente de análise da existência. E você?
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