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...Então eu fechei minha mochila, respirando fundo. A casa estava em completo silencio. Provavelmente passava da meia noite. Era até estranho aquela calma após a discussão que mamãe e papai tiveram: parecia meio um sonho. Lembro de estar usando um grosso casaco com capuz, porque era uma noite muito fria e eu achava que isso me tornaria irreconhecível. Com a mochila nas costas e andando na ponta dos pés, eu deixei meu quarto. Era tudo muito simples: chegar até a sala, dest

ANA BEATRIZ


EU SÓ EXISTO NO OLHAR DO OUTRO!!!???
“A gente só existe no olhar do outro” É o título do livro de Ana Suy e Christian Dunker (2025), e sendo um texto psicanalítico me chamou a atenção, comprei... mas antes de ler quero refletir com vocês sobre essa chamada, será que só existo no olhar do outro? O que isso significa? A frase “a gente só existe no olhar do outro” parece simples, mas toca algo profundamente humano. Na psicanálise de Jacques Lacan, por exemplo, o sujeito se constitui a partir do olhar e da linguage

TEREZINHA ARAÚJO


A MULHER POR TRÁS DA MÃE
Mãe não é só quem cria. Mãe é quem entrega a vida adiante, mesmo quando a própria vida lhe faltou um tanto. Tem mãe que foi abraço. Tem mãe que foi silêncio. Tem mãe que amou como pôde. E teve as que endureceram para não desabar. A gente cresce querendo entender as mães pela régua daquilo que recebeu. Mas um dia a alma amadurece… e começa a enxergar a mulher por trás da mãe. A menina que talvez precisou crescer cedo demais. A filha que também carregava ausências. A mulher que

ELIANE SOUZA


O DIVINO ENTRE NÓS
“Se alguém afirmar: ‘Eu amo a Deus’, mas odiar o seu irmão, é mentiroso, pois quem não ama o seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê. Ele nos deu este mandamento: quem ama a Deus, ame também o seu irmão.” (I João, cap. 4 – Bíblia Sagrada) Dia desses, passeando pelos stories de uma rede social, entre fotos, vídeos, frases e sei lá mais o quê – todos destinados a uma existência efêmera de vinte e quatro horas –, tropecei em uma frase que se impregnou em mim e

JEFFERSON LIMA


UM POEMA TRISTE
O céu se abria e ordenava aos anjos. - Liguem todas as luzes Que iluminam o caminho da terra. Dizia às estrelas do universo. - Intensifiquem seus brilhos Serão vistos por almas vivas e mortas. Um filho vai chegar... Há tempo se preparando. Período em que não viveu Rompeu com os desejos de viver. Resistiu, sem queixas, o ataque silencioso do monstro. Adversário que ia diluindo, o que mesmo? Sua faculdade mental, seu organismo antes imortal. Amava do seu jeito. Certo para uns,

MARIA ANÉSIA


ETERNA PRIMAVERA
Era final de setembro. O ano eu já não me lembro bem. Mas faz muito tempo, porque eu ainda morava no bairro São Cosme em Santa Luzia. A data longínqua pode ser justificada pelo fato de que eu ainda não possuía carro. Em uma tarde, eu saí de casa para ir ao centro de Belo Horizonte. O antigo ônibus vermelho gastava 1h10 mais ou menos para chegar à Praça da Estação onde ficava o ponto final da linha. Naquela época, a Avenida Antônio Carlos ainda não era alargada como hoje e a

JOSÉ FRANÇA


CURSO PARA MÃES
O Divino cochilou e pá: vazou no grupo da família o PDF do Curso para mães. Grade obrigatória: Paciência I, II, III,IV e Pós-Doc; Abnegação avançada com estágio em Oratória; Sabedoria nível “respondeu sem berrar na 27ª vez do Mãããe”; Prova final todo dia às 3h da manhã. Optativa mais disputada: “Multiplicação de Braços com a Profa. Polva”. Pré-requisito: dirigir sem trombar com o filho engasgando no banco de trás. Laboratório: dobrar roupa, mexer panela e separar briga ao

ILMA PEREIRA


O LIVRO QUE UMA AVÓ ME ENSINOU A LER
“A Menina da Cabeça Quadrada”. Foi o título de um livro infantil que me parou no meio da feira. Eu estava ali por causa da minha neta — acompanhando a apresentação dos trabalhos na feira literária da escola dela. O ambiente era cheio de vida, de cores, de crianças orgulhosas do que tinham criado. E no meio de tudo aquilo, antes mesmo de abrir o livro, aquele nome me provocou. Depois vieram as apresentações. O brilho nos olhos das crianças ao explicarem o que tinham aprendido.

CARLA KIRILOS


SOBRE SAIR DE UM ESTADO E ENTRAR EM OUTRO
Enquanto o ônibus deslizava pelo asfalto de um dia primaveril, ao som de Café Cubano, eu pensava no que havia acontecido no embarque da rodoviária de São Paulo e, no quanto em meio ao mundo apocalíptico, ainda há salvação para o ser humano… São aqueles momentos que exigem reflexão sobre em qual mar navegamos! Um homem, acima de qualquer suspeita, entrou no ônibus dizendo que estava desesperado e passaria vergonha por ter que pedir nossa colaboração e compreensão, pois ele e

BETH BRETAS
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