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LUGAR ESCURO
Eis que, vez ou outra, a vida resolve abalar nossas estruturas. Ela bate forte, impiedosa. Escancara nossos medos, Desafia nossa fé. Desencadeia uma série de desventuras que nos impossibilita de agir. Expõe nossas fragilidades e esfrega em nossa face a insignificância que outrora insistimos em ignorar. Ela sacode com vontade. Até que nada mais esteja de pé. Tentamos segurar de um lado e de outro Sem perceber que, aos poucos, a esperança se esvai. Se alimenta de cada gota d


LOGO ESTAREI EM CASA
Estou sentada em meu escritório, a tela do computador brilhando na minha frente, depois de tanto tempo sem escrever uma única linha. Eu sei, preciso tomar alguma medida, mas você precisa entender que as coisas não andam fáceis, especialmente com as crianças. Bem, para tentar sair desse estado, vou contar sobre uma certa noite que, de vez em quando, me vejo pensando. Tinha acabado de completar 13 anos, e estava passando, com meu irmão, um período na casa dos meus tios. Eles


QUAL É O NOSSO GRITO DE HOJE: RELAÇÕES DE TRABALHO E A GREVE DOS PROFESSORES
Nos últimos meses, falamos aqui sobre o burnout em suas diferentes vertentes, sobre o sofrimento que pode surgir, quando as exigências do trabalho ultrapassam os recursos que o trabalhador dispõe para enfrentá-las. Mas a vida continua. A vida laboral segue. E, com ela, seguem também os encontros, desencontros, expectativas, frustrações e conflitos que fazem parte das relações humanas e das relações de trabalho. É nesse contexto que gostaria de trazer uma questão que hoje está


BOY SOBER: MOVIMENTO SOCIAL DE MULHERES HÉTEROS E O COMPORTAMENTO AFETIVO OBSERVADO NA ATUALIDADE
O que esse movimento social de mulheres héteros sinaliza sobre o comportamento afetivo observado na atualidade? Vocês já ouviram falar no movimento Boy Sober? Confesso que não o conhecia e que de cara já esbarrei na dificuldade de compreender o termo devido ao desconfortável emprego de um estrangeirismo forçado - mas isso fica para uma outra discussão linguística que não vou ter aqui e agora. Na esteira das minhas curiosas pesquisas e leituras sobre relacionamentos conheci es


TRAJETÓRIA DE UMA NARRATIVA
"O Menino Que Via As Mulheres,"quando bati meus olhos neste título de livro, pensei: - Deve ser um adolescente. Nessa faixa etária de vida, os meninos ficam curiosos para ver o corpo nu das mulheres. Nada disso, um enigma sobrenatural, um momento difícil em que muitos dizem ser um espírito que baixa na pessoa, ela entra em transe. Logo, vê fenômenos paranormais. André, o personagem protagonista, via mulheres de todos os tipos, todas as idades sendo torturadas de tal forma qu


HIATOS E ENTREPONTOS
Não poucas vezes, confesso que a página em branco me assusta por espelhar o vazio que sinto ante o desejo ou a pretensão de escrever. Nem sempre há uma ideia predefinida, ou um grito reprimido pressionando para que o expresse. Nesses hiatos de inspiração, a sensação é de que, definitivamente, a fonte secou. Não há mais versos, crônicas ou histórias a serem criadas. Chega a dar um pouco de aflição. Mas certo alívio vem ao relembrar as vezes em que textos não planejados surgira


O UNIVERSALISMO E O LOCALISMO NA LITERATURA - DOS PRIMÓRDIOS ATÉ O MODERNISMO
Desde o início de minha imersão nos estudos literários, uma questão que sempre se destacou foi a tensão entre o universalismo e o localismo (ou regionalismo), frequentemente concebida como a oposição entre literatura universal e literatura local. Mesmo antes do advento da imprensa, responsável por ampliar a circulação e a universalização do conhecimento, já se observava nas grandes epopeias a presença de temas cosmopolitas. Essas obras não se restringiam a contextos particula


ESCRITORES INVENTORES
Fofocas literárias… mas edificantes. Olá, sou Ilma Pereira e aqui me dedico à fofocas literárias, mas que só lhe farão bem. Quando pensamos em escritores, famosos, com milhões de livros vendidos, sempre os imaginamos tranquilos, com a única preocupação de escrever suas histórias. Hoje quero contar para você que muitos autores não se dedicaram só a escrever. Não. Eles usavam seus tempos ociosos para pensar e criar várias coisas que até hoje impactam o nosso dia a dia. Não


RECORDAR É VIVER?
A agulha desce sobre o vinil e há aquele instante de chiado antes da música começar — meio segundo em que o silêncio ainda não decidiu se vai virar som. Depois vem o acorde. "Recordar é viver, eu ontem sonhei com você…" A canção é de 1955. Eu ainda nem existia quando ela nasceu. E, no entanto, basta ouvir os primeiros acordes para que alguma coisa dentro da gente reconheça a melodia — e, por três minutos, a sala parece ter dois endereços ao mesmo tempo: o de hoje e o de outro
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