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ELAS SE VESTIRAM DE HOMENS NA LITERATURA
A literatura mexe nas feridas do mundo, como a existência difícil das mulheres num mundo que lhes é hostil, e que sempre se apresentou como um espaço inóspito. O tempo, representado por séculos e milênios, nunca deixou de ser bárbaro, selvagem e rude. Mas, ao invés de serem caladas, as mulheres usaram a inteligência, a criatividade, a sagacidade e a competência para responder à realidade e se colocar em atitude de protesto e resistência. Platão desenvolve, na sua obra univers

JOSÉ FRANÇA


Sobre provas, casulos e a Páscoa
Hoje não trago uma fofoca literária. E explico por quê. Dentre as notícias que me impactaram nesse mês de março e foram muitas — guerras, chuvas pesadas, enchentes, etc. — a que mais mexeu comigo foi a do rapaz que teve a redação da Fuvest desclassificada e que virou meme na internet. Por que isso mexeu comigo? Talvez por ter acompanhado filhas e sobrinhos que passaram pelo tormento — mas necessário — do Enem, ou quem sabe porque fui professora por 32 anos e corretora do En

ILMA PEREIRA


O SILÊNCIO QUE ILUMINA: ENTRE A ESPERA E A ESPERANÇA
Vivemos em um mundo que parece ter pavor do vácuo. Se há um minuto de silêncio, nós o preenchemos com o brilho azulado das telas; se há um espaço vazio na agenda, nós o ocupamos com uma produtividade que beira a exaustão. Na contemporaneidade, o ruído não é apenas sonoro, ele se tornou uma condição existencial, uma tentativa desesperada de provar que estamos vivas através da agitação. No entanto, hoje é dia 04 de abril, o Sábado de Aleluia, e o calendário da fé nos impõe uma

CARLA KIRILOS


VULNERABILIDADE
Artista Criola / Bairro da Liberdade / São Paulo O ato de doar não pode ser inútil para você nem para o outro. Nele se realiza o que é seu e o que é do outro, porque entre o pedido e a aceitação, acontece a ação de pedir e de doar que envolvem sentimentos totalmente distintos. Essa reflexão surgiu depois de dois pedidos que foram feitos a mim, um pós saída de show e o outro em noite de confraternização - aquelas em que você está numa mesa, na calçada de um estabelecimento e

BETH BRETAS


SUA PRESSA, MEU DESASSOSSEGO?
Passos largos... Passos curtos... E uma infinidade de caminhantes a passear. Tropeça-se aqui e cai-se acolá. Estendem-se tapetes por onde nunca mais poderia querer passar. A alguns, interessa menos o destino, e mais os passos que serão dados, porque sabem que alguém, em algum momento, nas pegadas deixadas, pode querer pisar. Onde pisar, por onde passar, qual caminho escolher… Isso importa? Muito. Deveras importará a quem se importa. Caminhante observadora que sou e debruçada

RUBIA ARCE Admin Blog


A OUTRA MULHER
Ela era bonita? Bem, de qual das duas estamos falando? A primeira estava quase com quarenta anos. Quarenta anos. Que número assustador, ele vem chegando aos poucos, como a barriga que cresce e anuncia o bebê. Ela percebia a sua chegado naquele maldito fio de cabelo branco e, aquelas dores, parecia que tudo doía, os ombros, as costas, as vezes até os olhos. Os seios que até pouco tempo eram firmes agora caiam amolecidos. A imagem no espelho parecia ser a de uma traidora. Mas

ANA BEATRIZ


SINTONIA DAS ÁGUAS
Estava aqui pensando… escutar exige treino. Exige silêncio. Respeito. Tempo de processamento e elaboração para somente assim se criar uma devolutiva. Relacionamento também precisa de escuta, de silêncio, de elaboração e processamento emocional. E relação, ou seja, (re)enlaçar indivíduos demanda a interação harmônica entre pessoas. Mas, e quando as pessoas estão fechadas em si mesmas e não estão conseguindo lidar com a interação e com os desafios do outro? Sinto que é aí que

MICHELLE MKO


APRENDENDO A TER ESPERANÇA
Vivemos um tempo marcado por tensões globais, guerras, crises humanitárias, profundas incertezas políticas, desastres naturais e violências de toda ordem. As notícias chegam todos os dias carregadas de imagens de destruição, disputas de poder e instabilidade, cenas de ódio e barbárie. Diante desse cenário, experimentamos sentimentos de angústia, medo e impotência. Surge então perguntas que atravessam tanto a vida individual quanto a coletiva : Como sustentar a esperança em t

TEREZINHA ARAÚJO


O FEMINISMO DOS ÚLTIMOS SÉCULOS
Havia autoridade nos olhos da matriarca Olhava, franzia a testa e desse jeito falava. Anos depois, esses gestos sigilosos se tornavam Ecos para adolescente, jovem, moça inteira. Casava-se sob ordem superior, sem amor. Sem a mácula do pecado, seguia o marido Submissa de suas ações, suas razões. Todas elas, avó, mãe e filha. As mulheres de meus tempos Mães de todo feto que no útero caía. A pílula do dia seguinte não existia Nenhuma gestação, ela impedia. Uma década apenas, a pr

MARIA ANÉSIA
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